Graça Cristo

Formada em Administração, com MBA pela
Faculdade Getúlio Vargas, Cursa Direito.

PROPRIETÁRIA DO ALHAMBRA DESDE 2007

 

“A criatividade tem que ser o principal ingrediente do seu negócio”, esse é um dos pensamentos que fez Graça Cristo prosperar à frente da escola de idiomas Alhambra em Castanhal.
Quando muitos encaram a múltipla jornada feminina como um obstáculo, ela vê oportunidade e beleza na capacidade da mulher liderar.
Não foi à toa que Graça foi uma das homenageadas pelo Prêmio Mulher Empreendedora 2018.
Em nosso #PerfilEmpreendedor desta edição, conhecemos a visão forte de quem comanda uma equipe de 40 funcionários e um negócio que completou 10 anos com sucesso promissor. Experiência, delicadeza e firmeza traçam o perfil de alguém que tem muito a falar sobre empreendedorismo.
RJV- Qual é a sensação de ser premiada e reconhecida pela cidade como uma mulher que está à frente de um negócio considerado promissor?
Graça – É um desafio. Assim como todas as dificuldades de quem se arrisca a empreender. E empreender é algo sensacional porque precisamos de motivação diária. E esse momento de premiação nada mais é que uma injeção de ânimo e reconhecimento, não só para quem está participando, mas para quem está vendo, que se motive a participar nas próximas edições. E que mais pessoas possam inovar nos seus negócios, e, assim, obter sucesso. Porque o reconhecimento vem através dos clientes e dos resultados que são mensurados ao final de cada mês.
RJV – Como você encara a presença feminina nos negócios?
Graça – Há muito tempo, a mulher vem buscando esse espaço. E no mês de março que a gente comemorou o dia internacional da mulher, é uma data que vem cheia de luta e tem sabor de vitória, boas conquistas e dores também. A mulher vem conquistando o seu espaço, a gente vem lutando todo dia, em diversos setores, seja no banco, negócios ou em casa. Nós mulheres temos esse desafio de ser mãe, esposa, empresária, fazer múltiplas tarefas. É muito lindo ver como conseguimos dar conta de tudo isso.
RJV – Como você identificou a sua aptidão ao empreendedorismo?
Graça – Desde criança observei meu pai, ele é minha motivação. Ele saía muito cedo para trabalhar. Ele era agricultor e sempre olhei a labuta dele, o que fazia todos os dias, e aquilo gerou em mim um desejo de ir além, de poder fazer a diferença na vida das pessoas assim como ele faz na minha. Eu acredito que através dele despertei esse desejo de empreender. É um desejo natural, de bem antes de me formar em administração. Com 12 anos, vendia bombos na escola, já negociava, que é algo que gosto muito e qualquer pessoa pode fazer. Sempre penso que lucro é melhor que salário. Você pode gerar seu salário de acordo com a sua capacidade de gerir, correr atrás, de buscar seus objetivos. Não é uma coisa estática, é algo ilimitado que você pode criar o quanto você quiser.
RJV – Na sua opinião, ao que você atribui o sucesso de uma empresa?
Graça – Eu tenho uma visão muito clara sobre a questão de sucesso no negócio. Posso não estar certa, mas acredito que o fundamental são as pessoas que estão dentro do negócio. Os gestores têm duas mãos, uma cabeça, duas pernas, tem as ideias, mas quem faz acontecer são as pessoas que estão dentro. Então, mantê-las motivadas, trabalhando para o negócio e não no negócio, faz toda a diferença no sucesso.
RJV – Quais os valores que você segue?
Graça – Os valores são intrínsecos, cada organização tem a sua cultura. E dentro dessa cultura do dia a dia, é muito importante que os colaboradores a conheçam, sintam e percebam, mas o maior exemplo é o gestor. Os colaboradores, com certeza, são reflexo dos seus gestores. Esse é um valor que é preciso cultivar primeiro em si, em olhar as suas atitudes no dia a dia, de ver a forma com que você lida com as pessoas, porque é essa forma que eles vão levar para a frente.
RJV – Fale um pouco sobre a sua forma de liderar.
Graça – É muito peculiar, eu tenho 40 funcionários, digo que sou um pouco maternalista com eles. Mas, tenho uma linha vermelha que é o limite até onde eles podem chegar. Embora a gente converse, dialogue e brinque, existe um respeito e uma hierarquia, e isso é muito importante para que o colaborador reconheça que tem uma pessoa forte à frente. Tem alguém que conhece o negócio e o trabalho. Liderar é você saber o que faz para que os outros saibam o que eles têm que fazer, porque você conhece o trabalho deles.
RJV – Existe algum obstáculo para a mulher empreendedora?
Graça – Eu acredito que nós criamos muitos obstáculos, muitos estão dentro das nossas cabeças. A partir do momento que você desata as correntes que estão dentro da sua própria cabeça, tudo fica muito mais fácil de resolver.
RJV – Quando o negócio vai crescendo o que fazer para não se sobrecarregar?
Graça – O objetivo de toda empresa é crescer. E, evidentemente, com o crescimento, as demandas vão aumentar. O gestor não pode ser operacional, ele tem que ser gestor. A partir do momento em que você está à frente no negócio, automaticamente, você vai ficando sobrecarregado. A principal missão do gestor é delegar. No momento em que você aprende a delegar, você se desafoga e consegue ter uma visão ampla, o que torna tudo mais assertivo.
RJV – Qual é a sua motivação de empreender?
Graça – Mudar a vida das pessoas. Sejam aquelas que vêm buscar o serviço que eu ofereço ou a vida de quem está ao meu lado. Poder mudar a vida de cada um que está envolvido no processo é minha principal motivação.
RJV – Você acredita que é preciso renovar a maneira de gestão ou o tradicional é a receita para fazer dar certo?
Graça – A inovação é perfeita, porque ela te diferencia dos outros. E para inovar, não é preciso investir milhões. Até uma parede nova, uma mudança no cenário, no layout do seu negócio é inovar. A criatividade tem que ser o principal ingrediente do seu negócio.
Tem que inovar a cada dia, nas atitudes, na forma de trabalho e até na forma de ouvir.
RJV – Como você vê nosso mercado local?
Graça – Castanhal é uma cidade com um potencial enorme. Nós estamos na beira da estrada, por aqui as pessoas passam de todos os municípios, é um ponto estratégico. A nossa economia gira em torno do comércio, serviço e agronegócio. A pesar de não termos indústria, podemos ser muito bons no que oferecemos. Isso depende da criação de uma cultura local, precisamos criar essa identidade, sermos mais bairristas. Para fortalecer a mentalidade do amor por Castanhal. Fazer com que as pessoas queiram estar aqui e utilizem-se dos nossos serviços e produtos.
RJV – Para quem está começando qual a dica que você daria?
Graça – Buscar um diferencial. Deixar de olhar para o lado e olhar para dentro do seu negócio dá grandes chances de alcançar o sucesso. Muitas vezes se abre o negócio copiando o vizinho, e a pessoa deixa de ver o potencial que tem. Olhar para dentro cria a sua identidade. A penetração de mercado de negócio depende muito de como o cliente te vê. Por isso, criar um valor para o seu negócio é fundamental.