Com Paulo Victor Costa

Diretor executivo Mafrinorte.

Engenheiro Civil pela UFPA e cursa Gestão
Empresarial na FGV

A Mafrinorte completa este mês 35 anos, é uma das indústrias mais renomadas da cidade. Uma história que serve de exemplo pela persistência e pela solidez de seus negócios. O Destaque para o agronegócio que se iniciou com um pequeno frigorífico, hoje tem uma linha diversificada de produtos que atendem a demanda cada vez maior de clientes que buscam qualidade e comodidade. Esse case de sucesso e de empreendedorismo nos foi apresentado pelo Diretor Industrial, Paulo Victor Barros Costa, que juntamente com o irmão Paulo Afonso e o pai Paulo Afonso Costa, comandam a empresa que gera 600 empregos diretos e mais de 2 mil indiretos. Uma responsabilidade de alimentar famílias da nossa região e de outros estados com total segurança. Um perfil empreendedor que nos ajudou a compreender de onde vem a solidez desse negócio que perdura gerações.
RJV – Investir no mercado de alimento requer uma perícia grande com fiscalização e controle de qualidade. Sendo assim, posso dizer que um dos maiores patrimônios, hoje, da empresa é o quadro de funcionários ou a tecnologia já é capaz de garantir a qualidade desejada?
Paulo Victor – O capital humano é o ponto fundamental e principal de qualquer empresa. Porque é nele que estão inclusos as inovações. A gente estima que as inovações é que vão manter qualquer empresa no mercado. Em virtude disso, a capacidade e fidelidade dos colaboradores bem treinados para exercer as suas funções é o que faz a diferença no produto e nos destaca em relação a qualquer concorrente.
RJV – E essa transição para o uso da tecnologia, é possível manter a qualidade com tal mudança?
Paulo Victor – o material humano vai ser fundamental em qualquer processo. Hoje está mudando bastante as aplicações industriais. Existe sim uma tendência em substituir processos e procedimentos, postos de trabalho com máquinas. Mas em contrapartida, está sendo cada vez maior o surgimento de postos que exigem criatividade, produtos novos, a mudança de eficiência e, com isso, as pessoas são o recurso mais necessário. São as pessoas que trabalham na garantia da qualidade com aferimentos que não são possíveis de serem realizados pelas máquinas. Ser mais competitivo é uma questão necessária, conseguir diminuir custos também, mas o capital humano é o principal recurso que a empresa tem e prioriza.
RJV – Numa empresa que tem alta produtividade como a Mafrinorte, é possível alavancar novos projetos sem prejudicar os já existentes?
Paulo Victor – A gente não pode esquecer os fornecedores e parceiros que têm nos ajudado todos esses anos. A nossa estratégia, e acredito nisso, foi fazer uma ampliação que eu não precise escolher para onde vou mandar a mercadoria. Mas com o aumento da produção eu consiga novos processos, novos produtos e assim também novos mercados. A gente preparou a planta para um comércio de mil animais, o que antes, historicamente, fazíamos 600; isso permitiu que a gente fizesse novos negócios. E existe também a possibilidade de estar inovando com outros produtos. Cada vez mais o cliente determina o que ele quer. E ele quer o mais prático possível.
RJV – Qualquer empresa enfrenta momentos de dificuldades em sua trajetória, que atitudes empreendedoras devem ser tomadas para sobreviver a esses momentos?
Paulo Victor – A crise precisa ser tratada com uma certa estratégia. O nosso segmento não é diferente de outros negócios. A gente tem que traçar uma estratégia em que as necessidades sejam satisfeitas, porque elas existem, com crise ou sem crise. A diferença é que num momento de crise, existe uma escassez maior e aí tem alguns cuidados que a gente tem que ter, como qualquer empresa. O principal é entender o custo fixo. Precisa ter uma estrutura leve e superar os custos para que em qualquer tempo tenha volume de venda e, faturamento, favorecendo as atividades no mercado. É garantir a eficácia nos processos, garantir que o que chega na empresa seja aproveitado e beneficiado.
Temos até uma frase: ‘’A gente não manda no boi, nem na carne, mas manda aqui dentro’’. E aqui temos que fazer muito bem feito. Então, a saída para qualquer empresa é baixar despesa, ser austero, verificar onde pode ter perdas dentro da própria organização e certificar que os negócios a serem fechados com parceiros sejam o mais justo possível.
RJV – Empreender nem sempre significa gerar somente lucros, porque movimenta a vida das pessoas. Sob essa perspectiva, qual legado uma empresa deve deixar?
Paulo Victor – Gratidão. Porque daqui nasceram os nossos colaboradores e anos de história. A gente tem que garantir que as pessoas ao nosso redor consigam desfrutar disso. Como forma disso, a gente tem uma diversidade de projetos que a empresa faz, ajudamos várias atividades que não divulgamos por ser uma política interna. Mas a gente acredita que o lucro é convertido em resultados, e acredita que o resultado que estamos colhendo é porque de alguma forma, podemos plantar algo no semelhante com renda, doações, ajuda em projetos. Aqui temos vários projetos internos. E dessa maneira, podemos promover a história de famílias; empresas surgiram através daqui, e conseguiram alavancar na região. E temos muito orgulho de participar da história desses profissionais empreendedores que passaram por aqui.
E esses profissionais se instalaram no mercado. E a gente espera deixar um pedacinho de nós para região.
RJV –Qual sua dica para quem tem um projeto e sonha em empreender?
Paulo Victor – Eu acredito que um sonho pode se materializar com planejamento muito bem feito.
É fundamental compreender uma meta cujo objetivo seja algo tangível e que seja algo passível de se realizar. É fundamental entender que esse planejamento muitas vezes é árduo, exije abrir mão do nosso tempo com a família, tempo com nossos entes queridos, abrir mão de lazer para direcionar o recurso financeiro para estruturar a equipe.
Fazendo isso, daí qualquer projeto é viável e possível de ser executado.