Calio Pereira

Diretor comercial Dismelo Distribuidora há dois anos.
Há 9 anos na empresa, já atuou na área financeira, logística, RH e contabilidade.

RJV – Atualmente se fala muito em reposicionamento de marca no mercado. Você acha que esse é um caminho para se manter sempre em evidência?
Calio – Nos dois últimos anos, o mercado está muito sensível ao preço, principalmente. As marcas premium começaram a fazer um reposicionamento, trazendo o que a gente denomina de marca low price. Que são marcas de menor valor, mas que também entregam qualidade. Então, tem indústrias que para se manterem no mercado e manter presença no ponto de venda, criaram marcas, com valores mais acessíveis fazendo esse reposicionamento. Já que a compra não está sendo alta no produto premium, e assim as empresas não saem do mercado e continuam militando em outras linhas.
RJV – O que é mais importante para o empreendedor?
Calio – Eu trago como principal fator para empreender, é a capacidade de desaprender e aprender de novo. Porque hoje é muito difícil, o mercado está muito mais inovador e dinâmico. Então, a prática com que você fazia as coisas antes e te trouxe até aqui, não é a mesma que pode te garantir continuar no mercado. Então eu digo que o mais desafiador para o empresário ou empreendedor é a capacidade de desaprender o que ele sabia fazer e aprender o novo, e assim, ele consiga se manter no mercado.
RJV – Existem momentos em que é preciso arriscar. Como fazer apostas inovadoras no negócio sem colocar em risco todo o patrimônio?
Calio – Todo negócio é alicerçado por pessoas. E eu acho que o que permitiu a Dismelo e as demais empresas do grupo a tentar olhar para algo mais inovador, é ter pessoas muito boas que nos ajudam a conquistar esse sonho. Então assumimos muitos riscos sim. Existe um escritor, o Mauricio Benvenutti. Ele fala que a gente tem sempre que enxergar a próxima onda. O mercado é muito nervoso e, às vezes, a gente se atém àquilo que está sendo colocado naquele momento. E quando falo em arriscar, estou falando em se perguntar: o que vai acontecer após isso? Esse movimento vai durar dois, três anos? O que vem depois disso? Então sempre procuro mirar na próxima onda. Isso deixa a gente com uma proposta de mercado com uma perenidade, não como algo de momento. O que faz com que a gente se arrisque com segurança, embora sejam palavras contraditórias, justificam o fato de nós termos um time muito engajado, com pessoas empenhadas, e ficamos seguros para apostar juntos.
RJV – O sucesso de uma empresa também depende do bom desempenho da equipe que nela trabalha. Qual o segredo para manter uma equipe sempre motivada?
Calio – Eu acho que você tem que procurar pessoas apaixonadas pelo que fazem. Sempre no processo de entrevista, deixamos claro que para se mover dentro do nosso grupo, precisa de mais do que a questão salarial, porque isso com o tempo se esgota. Tem hora que você satura e você quer algo a mais e tudo tem um teto. Se começa a bater no teto, também começa a gerar a insatisfação. Temos um trabalho interno que é muito mais pelo valor. Nosso grupo tem 30 anos no mercado, com colaboradores com 30 anos na empresa, é motivo de mostrar que conseguimos construir uma política de empresa voltada para valores, são pessoas apaixonadas pelo que fazem. E fazer com que a gente consiga ter sucesso, com certeza é mérito desse time, muito aguerrido, que consegue brigar pelos valores que defendemos lá fora.
RJV – Ainda falando sobre trabalho em equipe. Dá para confiar grandes decisões em mãos de funcionários?
Calio – Eu acredito que dá para arriscar e dividir responsabilidade com todo mundo. Sempre reagimos de maneira espontânea, quando a gente fala de fora pra dentro. Escutamos o time, o que tá acontecendo aí fora, o que a gente pode, fazer pra melhorar. E nessa escuta, há decisões e mudanças de risco. E embora a gente tenha a palavra final, tudo passa por riscos calculados e divididos com cada um, porque também se entende que é necessário mudar sempre. E a presença do dono é muito importante. Não é à toa que a presença do nosso presidente do grupo é muito intensa, ele vive a operação diariamente, em todos os negócios. Uma coisa é certa, ele nos ensinou a passar para todos a importância de cada um; olhar o negócio como o dono olha. Se preocupar com a água que está se desperdiçando, com o papel impresso de maneira errada. Ele tenta buscar que não seja somente o olho dele que faça as coisas funcionarem, mas você agir como o dono, na ausência dele, agir como tal. Essa cultura de ser parte, de ter o sentimento que a empresa também é sua, faz com que todos, de maneira indistinta, consigam tratar o negócio como se fosse seu.
RJV – Você acredita que investir em propaganda e publicidade melhora a confiança dos clientes?
Calio – Pra mim, são coisas indispensáveis. Não adianta fazer muito e não mostrar, e não dar conhecimento disso para quem deve ter conhecimento. Tem cliente, por exemplo, ciente de muitas práticas que a Dismelo atua, porque nós damos visibilidade dessas práticas a eles. Seja por canais de mídia digital ou mídias tradicionais. Mas eu falo assim, sair delas é a mesma coisa que você fechar a cortina e não querer ser visto pelo mercado. Então, é totalmente necessário. Nós temos um time hoje voltado para trade marketing que pensa nessa comunicação, em como isso pode se traduzir para o nosso cliente. Essa preocupação é diária.
RJV – Qual o maior desafio de manter um negócio sempre em expansão?
Calio – O futuro do mercado está voltado para experiências. Aquele que aposta na melhor experiência com o cliente, na maneira como ele vai transacionar o seu negócio, seja na compra de produtos ou serviços, vai garantir com que o seu mercado esteja sempre em ascensão.
RJV – Que tipo de habilidade um líder precisa ter para ser um bom gestor?
Calio – Eu acho que o principal desafio hoje é a capacidade de saber ouvir. Qualquer pessoa que assuma a liderança de uma equipe passa a ser o porta voz de um time. Você precisa ter a capacidade de saber ouvir, gerir aquilo e traduzir em ações e devolver para a sua equipe como apoio, com a entrega de algo. E isso é o início de um trabalho. Toda equipe depende do perfil do líder. Ser líder hoje não é necessariamente buscar motivar apenas. Mas sim dar a orientação, é pegar na cadeirinha da bicicleta, ensinar a dar os primeiros passos e soltar. E quando as pessoas me perguntam o que é preciso fazer para ser um líder, digo: ‘‘Assuma responsabilidade, brigue mais pelas suas causas e com isso você vai mostrar um pouquinho o seu espírito de liderança.’’ Então, acho que o maior desafio hoje é manter as pessoas engajadas por um propósito.
RJV – Qual a sua dica para quem deseja investir no próprio negócio?
Calio – Você tem que ouvir o mercado. A vontade de empreender não se traduz em sucesso. A vontade de empreender junto com o que o cliente precisa, aí sim, ela pode se traduzir em sucesso. Se alguém tiver disposto a empreender, inovar e querer fazer algo que possa contribuir, escute o que o mercado precisa. Tem gente ganhando dinheiro com facilidades, fazendo o básico. Às vezes, a gente se volta para querer fazer algo muito complexo e se esquece de fazer o básico. Tem pessoas criando aplicativo pra fazer entrega de água, para acionar manicure, e isso é o básico, será que ninguém nunca pensou nisso? Só que às vezes, a gente se atém a pensar em algo tão inovador e tão complexo que deixa de fazer o básico. Quem tem disponibilidade para empreender, eu digo: ‘‘Escute o mercado, sinta a necessidade do cliente!’’
Se existe um cliente ou mais de um que tem aquele problema e se você tem a solução, você tem a chave do sucesso.