O Papo VIP desta edição é com uma banda que já tem 12 anos de estrada. Fusão a Frio não nasceu de um sonho de jovens em alcançar o sucesso, mas pelo prazer de tocar. Foi a música, em especial, o rock, que uniu Rodrigo Mattus aos irmãos Edirley e Edney Lago. E pensar que os primeiros shows da banda aconteceram em festas familiares… A qualidade das apresentações chamava atenção de convidados, e foi de evento em evento que eles decidiram que era hora de assumir a identidade e formar a banda. O nome vem de uma das canções composta por Humberto Gessinger, Engenheiros do Hawaii, a banda, aliás, é uma das maiores influências do grupo que também tem como referência U2, Coldplay, Cidadão Kane e Pink Floyd.
Os três fazem parte de uma geração criativa e com posicionamentos fortes sobre tudo o que acontece ao seu redor e no mundo. Não é por acaso que as composições próprias são cheias de reflexões. Os dois Cds gravados pela banda possuem uma temática em comum: o tempo.
“As músicas falam de vivência, das experiências nossas e das pessoas que estão ao nosso redor. A gente tenta colocar a nossa opinião sobre as questões,”, explica Edney.
O primeiro projeto autoral foi lançado em dezembro de 2014, o disco “Na mira dos ponteiros”, depois disso, em 2017 eles lançaram “Eu e o tempo” um disco muito especial, gravado de maneira analógica num estúdio no Rio de Janeiro.
Os músicos abriram o show da cantora Solange Almeida e receberam elogios de toda a banda. Um reconhecimento que o público de Castanhal e Região começa a ter também. “O sucesso são essas pequenas conquistas que a gente tem. Sucesso nós já fizemos, a banda se considera realizada pelas experiências. Alcançar a massa, seria uma consequência disso,” relata Edirley.
O grupo acredita que é preciso criar uma outra mentalidade para o consumo musical. “O que mais assusta nas nossas apresentações é o medo do público com o novo. Quando a gente apresenta o nosso trabalho, há uma certa resistência, algumas pessoas preferem ficar dialogando com o passado, não querem conhecer o que tem de diferente”, lamenta Edirley.
Os meninos acreditam que a cena musical poderia ser mais movimentada. Há muitas bandas boas na cidade e em Belém, produzindo música de alta qualidade e que precisam mesmo de um pouco de atenção.
Ainda assim, não desanimam e continuam compondo e fazendo shows. Um novo Cd já está preparado e deve encerrar a trilogia com reflexões sobre o tempo.
A entrevista terminou com música e a esperança de que boa música sempre encontre espaço e incentivo.