Edney Quaresma

Empresário proprietário do Grupo MAC

Pode-se dizer que Edney Quaresma tem a educação no seu DNA, filho de professor, cresceu rodeado de tios e tias educadores. Ainda adolescente, começou a atuar no segmento como monitor, daí em diante, o rio seguiu o fluxo; professor, coordenador, diretor e atualmente está à frente de um dos mais impressionantes empreendimentos em educação do estado. O grupo Mac tem 14 anos e, na sua trajetória, atua na educação básica, ensino fundamental e ensino Médio. Também investiu no ensino superior com a Famac/Unopar, Famac Anhanguera em Abaetetuba, se firma com a parceria Really, que opera nos Estados Unidos e no Brasil, e credenciou os professores do colégio Mac como escola google, certificados para utilizarem as ferramentas do google. E são apenas alguns dos inúmeros serviços que ele direciona em parceria com a esposa Renata Quaresma. Mas o que nos surpreendeu durante a calorosa entrevista, foi ver o amor deste empresário destemido em levar educação para todas as pessoas.
Como ele mesmo definiu, “transformar vidas é o que realmente me atrai na educação.” Talvez, com essa entrevista, você entenda como ele tem tornado a vocação num negócio promissor.
RJV – Qual o maior desafio empresarial que você já enfrentou para se firmar na área?
Edney – O grande desafio é ganhar a confiança das pessoas. Educação é um produto muito diferente de ser vendido. Primeiro você precisa fazer uma venda diária, uma entrega desse produto diariamente. Quando você tem uma loja, você vende uma bolsa, a pessoa compra e leva pra casa e usa um dia ou não. E quando vende educação o aluno vem quase todos os dias, ou todos os dias para a sua unidade. Quando é um aluno de ensino fundamental, você carrega junto o pai, a mãe, o avô, os primos, todo mundo dá um pouco de opinião sobre a educação da criança. Quando é ensino superior, você também carrega a família, marido, esposa, filhos, etc. Então ganhar a confiança dessas pessoas, mostrar a elas que o seu produto realmente agrega valor na vida delas é o grande desafio.
RJV – Nós sabemos que educação é extremamente importante e é essencial para a formação do ser humano. Como fazer com que a iniciativa privada cresça?
Edney – Educação privada, na minha opinião, é a grande solução do mercado brasileiro. Infelizmente o governo não consegue entregar uma educação, básica ou superior, de qualidade. O governo gasta muito dinheiro para fazer uma educação ruim, enquanto as empresas privadas conseguem hoje, em diversos níveis, entregar educação de boa qualidade, num preço acessível, educação com muita qualidade com preço mais acima da média e uma educação de extrema qualidade com um preço, obviamente diferente. A educação privada, de maneira geral, é o caminho a ser seguido hoje pela população, porque ela entende que na instituição pública, infelizmente, não terá qualidade necessária para se inserir no mercado de trabalho.
RJV – Então você acha que a baixa qualidade da educação pública tem mais a ver com o mal gerenciamento dos recursos?
Edney – Recurso existe, a verba pública para a gestão educacional existe, e se fosse entregue para uma empresa privada, ela faria com muito mais eficiência e entregaria resultados melhores. O problema é que a empresa pública é cheia de cabides de empregos que vai sugando e drenando a verba para atividades que não influenciam para o aprendizado do aluno.
RJV – Então é nisso que a educação privada se diferencia? Porque ela atua direto e de olho na gestão?
Edney – A educação é fundamentada em gestão. É dentro das universidades e escolas que se fomenta todo o conhecimento de gestão que é aplicado nos diversos níveis empresariais do país. Então, obviamente, as empresas de educação têm gestores e níveis de gestão altamente qualificados para entregar resultados e tecnologias educacionais que fazem o aluno aprender de uma forma mais rápida e eficiente.
RJV – Vendo todo o mercado de possibilidades para a educação privada, por que muitas escolas e universidades fecham as portas e entram em crise?
Edney – Hoje o Brasil enfrenta uma crise onde não só as universidades e escolas fecham. Hoje nós temos nas ruas placas de ‘‘vende-se’’ ou ‘‘aluga-se’’. Isso é porque o restaurante está fechando, a boutique da esquina está fechando. E são esses comércios que injetam dinheiro para que as pessoas possam buscar qualificação. Se essas pessoas não têm emprego, logicamente elas não têm recursos para pagar a instituição; automaticamente não há um fluxo financeiro capaz de manter essas operações.
RJV– Como você se mantém em expansão?
Edney – Eu acho que é o trabalho de gestão profissionalizada e ter do nosso lado pessoas que entendam de departamento financeiro, que entendam de gestão de pessoas, do modelo acadêmico, de aluno. E quando você se cerca de profissionais dessa qualidade e todos buscam o caminho único que é transformar a vida das pessoas através do serviço educacional, você consegue criar uma sinergia na equipe, que sempre vai entregar resultado melhor.
RJV – No seu ponto de vista de empreendedor, qual o momento para expandir o negócio?
Edney – Essa é uma resposta complicada. Penso que o crescimento tem que acontecer diariamente. Todo dia nós pensamos numa outra forma de atrair novos clientes, de agradar esse cliente e entregar o produto de qualidade, todo dia. Parece que a gente nunca está satisfeito com o que foi alcançado. Então não existe um momento certo. Às vezes, nós temos que andar na contramão mesmo, o cenário está totalmente negativo, e a gente está prospectando expansões.
RJV –É preciso ter grandes investimentos para obter grandes resultados?
Edney – Aí sim, existem momentos. Você consegue começar uma empresa com mil reais. Mas você não terá uma empresa profissionalizada se você continuar pensando em investir os mesmos mil reais. Então, eu costumo dizer que chega um momento da empresa, em que você tem uma linha tênue. Você decide ficar pequeno ou você decide dar um passo para se tornar grande ou gigante, e esse passo se dá no quanto o seu produto agrega valor para as pessoas. Quando você consegue entender isso, você dá o segundo passo. Vou crescer, vou escalar a minha operação. E é um momento de muita conta. E isso vai demandar um investimento que te ajude a suportar o crescimento.
RJV – É possível se reinventar, quando se tem o mesmo produto sempre? No seu caso da educação, como se reinventar?
Edney – Na verdade, nós começamos com um produto e avançamos com diversos subprodutos. A reinvenção não é no que você vende. A reinvenção está na cabeça do gestor, nas pessoas que o cercam, nas pessoas que o influenciam positivamente a gerar essas mudanças. Eu tenho uma parceira de trabalho e vida, que é a Renata; que sempre traz para as minhas decisões, nem sempre conservadoras, que me puxa pra terra e me diz: ‘‘Calma, vamos tomar a decisão de outra forma!’’ Nem sempre a decisão é pensar em crescer, às vezes é conter um produto que não está vendendo bem. Isso também é se reinventar, é aceitar a opinião das pessoas que estão ao teu lado e dos demais gestores, para que você consiga enxergar que está entregando resultado bom para o cliente e para a empresa, e o que realmente não está conseguindo vender, pois, às vezes, o gestor está cego, porque gosta de vender aquele produto.