André Oliveira

Formado em Administração de empresas e Gestão estratégica

CONSULTOR DE NEGÓCIOS DO SEBRAE-SP

 

Conhecimento é a mola propulsora de qualquer negócio. Inovação e planejamento são etapas essenciais. Mas como fazer tudo isso? O #PerfilEmpreendedor desta edição está pra lá de especial. A revista Janela VIP foi até a Feira do Empreendedor, em São Paulo, para buscar essas respostas. O evento recorde de público teve 147 mil visitantes, foram quatro dias em contato com experiências práticas de empreendedorismo, cursos, palestras, capacitações e stands que aprofundaram o conhecimento para quem está buscando abrir ou otimizar um negócio. Nosso entrevistado é um verdadeiro tubarão, quando o assunto é empreender. André Oliveira é consultor de negócios do SEBRAE e bateu um papo com nossa equipe. Ficou claro que, com orientação adequada, o caminho das pedras é um passeio que todos devem fazer, apreciando cada passo e sem medo.
RJV – Pode-se afirmar que a feira é um evento que proporciona suporte, partindo do planejamento, até a forma de minimizar erros, gerando bons resultados em um negócio?
André – Nós começamos com o processo de planejamento, construção de ideias, trabalhamos a base de comportamento e atitude de um empreendedor com os conteúdos que a feira apresenta. Mas a feira não é o ponto de partida e final do empreendedor, ela é o primeiro passo. O SEBRAE, como um todo, tem nos seus escritórios, cursos, capacitações e projetos que vão de fato estruturar esse potencial, até esse empresário atingir os objetivos que ele pretende. Aqui ele tem uma degustação de uma série de informações que, mais pra frente, no próximo passo, tem-se mais aprofundado, e isso acontece nos nossos escritórios.
RJV – Fala-se tanto em empreender, de fato, qual é a importância de empreender no Brasil?
André – Com relação ao empreendedorismo no Brasil, ele ainda está muito baseado na necessidade, muitas pessoas empreendem por necessidade. Isso é uma armadilha na maioria das vezes, porque a pessoa está focada em gerar resultado com aquele negócio. Ele não chegou a pensar nos passos anteriores: Quem é meu cliente? Qual problema eu resolvo? Como resolvo esse problema? Sem esses três pontos, é muito difícil você pensar no resultado financeiro. Então, a gente não pode priorizar o resultado financeiro, antes de pensar nessas três etapas que fazem todo o sentido, para que o negócio tenha resultado e tenha sucesso na sua jornada.

RJV – Associa-se muito o sucesso ao retorno financeiro. Qual a dica que você daria para que as pessoas evitassem esse grande erro?
André – Sempre pergunto nas consultorias: o que é sucesso para você? E a gente começa a retirar as informações do tipo “sucesso é ter dinheiro. É atingir os objetivos,” mas, quando você vai refazendo a pergunta de outra maneira e tendo outras respostas, começa a entrar na essência da pessoa que está ali. “Quero fazer o que eu gosto. Quero trabalhar na área com que eu sempre sonhei. Eu quero oferecer uma vida melhor para a minha família.” E aí sim, entendemos o que para aquela pessoa é o sucesso, a empresa e o negócio. Quando se tem a visão de sucesso clara, a gente consegue trabalhar estratégia, produto, cliente, gerar resultados para, aí sim atingir o sucesso. Resultado financeiro não é o sucesso, é a consequência de ações de sucesso de uma jornada que contenha claramente seus objetivos e metas e que resolva os problemas reais dos clientes. Essa jornada sendo cumprida, traz satisfação para o empresário e, consequentemente, resultado financeiro.
RJV – Qual a importância da concorrência, mesmo em setores com clientela mais restrita?
André – Isso é um ponto chave na maioria dos negócios, porque a gente pensa muito em concorrente, sendo aquela empresa que executa exatamente o que eu faço. Nós trabalhamos muito com a análise e visão de concorrência indireta. E isso no mercado de inovação é muito comum, as startups desenvolvem plataformas que atendem necessidades de clientes, associando negócios potenciais e cientes necessitados. E se hoje existe uma forma pela qual o cliente já executa esse processo, mesmo que não haja um CNPJ que fale sobre isso claramente, esse negócio inovador precisa entender que concorrência não é aquele que faz a mesma coisa, mas é o canal pelo qual o cliente caminha. Concorrência hoje é entender como estabelecer uma jornada que traga mais valor agregado, fazer com que o cliente saia daquela experiência que ele já tem e venha para uma nova experiência.
RJV – Qual é o maior desafio para quem busca empreender no Brasil?
André – A burocracia ainda é muito complexa, não podemos abrir mão dessa informação. Mas o ponto é a orientação e capacitação dessa pessoa como potencial empreendedor. Existe o empreendedorismo por necessidade, que é como a maior parte dos negócios começam, e isso demonstra que a falta de tempo para levantar informações, conhecimento, para análise do próprio perfil, faz com que as pessoas comecem negócios sem, às vezes, nenhum propósito, sem a informação de quem é o seu cliente. Esse negócio claramente não vai para a frente e ele acaba tendo problemas logo no primeiro ano.
RJV – Qual o principal erro que o micro empresário pode cometer?
André – É abrir mão do processo de planejamento. Seguir somente pelo instinto dele de “eu acho que vai dar certo. Acho que esse negócio é assim.” Nós escutamos muito o empreendedor falar que deseja abrir uma empresa que atenda “tudo aquilo que eu quero que façam comigo.” E é uma confusão, porque empatia não é se colocar no lugar do outro, é enxergar o outro. Então, na hora em que você desenvolve um plano, você tem que abrir mão das suas preferências e pontos de vista e entender o público que você vai atender. Na maioria das vezes, seu negócio vai para uma região em que o público não tem características iguais às suas e você tem que entender e atender aquelas características que estão ali. O maior erro do empreendedor é a falta de percepção real com relação ao público e a falta de planejamento também.
RJV – Qual a dica para o empreendedor que está começando?
André – Falamos que o Brasil caiu no ranking de empreendedorismo e inovação. Porém, ele pode até ficar no primeiro lugar nesse ranking, o que ele vai sempre estar em destaque é com relação aos problemas que o nosso país possui. Essas questões, na visão de empreendedores, devem ser a chave para a transformação. As nossas cidades, bairros, a própria região, possuem muitos problemas no meio do processo de negócio, seja de transporte, mobilidade, saúde, relacionamento, financeiro ou alimentação e tudo isso precisa ser observado. Essa análise é importante, é a partir daí que esses novos empreendedores devem buscar enxergar as possíveis saídas, envolvendo tecnologias e outras soluções que podem, de fato, diferenciar o negócio dele no mercado.