Ocila da Silva Favacho

Diretora da Escola João XXIII – Pedagoga

“Tenho sede de aprender.” A frase é da educadora Oscila da Silva Favacho que, aos 75 anos, está à frente de uma das escolas mais tradicionais de Castanhal: o Centro Educacional João XXIII. São 36 anos dedicados ao empreendimento familiar, que é reconhecido na região pela tradição e olhos no futuro. Ela nos recebeu em uma sala repleta de material escolar e livros por toda parte. O cenário só reforça a paixão desta mulher pela educação. É com muita força e determinação que Ocila comanda um negócio de sucesso. Para ela, é preciso ter coragem e amor como combustíveis para dar vida longa a qualquer empreendimento.
RVJ – O que de mais valioso você aprendeu com os anos dedicados a empreender na educação?
Ocila – Aprendi que os problemas existem, principalmente os financeiros. Hoje, lidamos com inadimplência, e acho que todos os setores passam por isso. E todos os dias driblamos essa questão, fazendo como? Ombro a ombro com os clientes, sentando, conversando, negociando, e isso é o mais importante. A situação atual está muito difícil para uma escola particular e para qualquer setor. Você tem que ter muita coragem, tem que ter espírito de vencedor, espírito de luta, de saber com o pouco fazer muito. Para não deixar falhar aquilo que é seu ideal.
RJV – Como manter a visão de negócio com educação e ao mesmo tempo manter a qualidade de ensino?
Ocila – Nós primamos pela qualidade, dando respaldo financeiro aos nossos profissionais, pagando sempre no dia certo. Isso é uma forma de primar pela qualidade do trabalho. Busco estar sempre perto dos funcionários e busco aquilo que é mais atual para eles trabalharem. Estou sempre enriquecendo o dia a dia deles com estímulo e conversa. Como agimos em cima de atualizações, os pais continuam tendo confiança e segurança no nosso trabalho.
RJV – É muito diferente administrar uma escola privada para um negócio do comércio em geral?
Ocila – Tem uma diferença imensa, porque nós trabalhamos com questões muito humanas: a família e estudantes em diversas faixas etárias. Por exemplo: num comércio de alimentos, o empresário quer manter a qualidade do produto. Aqui nós temos como objetivo motivar o desenvolvimento pessoal. Por isso, investir nos profissionais é mais importante. O negócio escolar é um trabalho complexo. O professor na sala de aula trabalha com 35 crianças, cada uma diferente da outra e, por isso, precisa ter preparo para dar atenção de forma individual.

RJV – Escolas abrem e fecham todos os anos, podemos dizer que o João XXIII é um negócio de sucesso. Existe um segredo desse sucesso?
Ocila – Na verdade, somos uma empresa familiar. Eu, meu esposo e minhas filhas gerenciamos tudo. Até os almoços se tornam reuniões. Todos os dias conversamos sobre o que a empresa tem, o que precisa ter e o que dá para fazer. Trabalhamos juntos, falamos a mesma linguagem e quando dá para promover grandes mudanças, fazemos. Mas, quando se fala em gestão, a prioridade é sempre o pagamento de tributos e dos funcionários em dia. O investimento na estrutura também é constante. O segredo é a cautela. Só fazemos aquilo que está ao nosso alcance para não dar um passo além do que podemos. Sempre planejando para fazer tudo na medida certa.
RJV – Como manter a tradição e ao mesmo tempo acompanhar o mercado?
Ocila – Bom, primeiro, nunca tive essa ideia de concorrência. A escola cresceu, mesmo enfrentando muitas dificuldades. Nossa maior propaganda é o ‘‘boca a boca’’, da qualidade daquilo que fazemos. Eu tenho feito um trabalho de base com a minha equipe. O que faz com que o aluno permaneça na escola é a qualidade e o tratamento com a família. A gente tem que fazer saber como agradar, sem perder a qualidade. A escola tem que ter um tratamento de paciência que nos outros lugares não encontramos. Todo ano tem o fluxo de entrada e saída de alunos. E muitos dos que chegam, vêm até com recomendação. Por isso, a qualidade importa, o tratamento importa e os profissionais que temos na base e na sala de aula são essenciais. Aliado a isso, mantemos tradições que aproximam os alunos, que permitem o acolhimento dele e da família.
RJV – Você acha que a educação tem o poder de transformar a economia do nosso país e da cidade?
Ocila – Onde existe uma educação pelo menos básica, a tendência é sempre o crescimento dos negócios e empreendimentos. A educação sempre vai ser a base de tudo. O que toda escola privada quer é manter o crescimento de toda a sociedade. Hoje, nós vemos na nossa cidade várias universidades, isso é reflexo do crescimento da economia e da educação de base daqui.
RJV – O que mudou na educação de quando você começou nessa área para hoje?
Ocila – A mudança tem várias motivações, e vejo duas como relevantes para esse processo. Primeiro, a saída da mulher de dentro de casa para o mercado de trabalho. E isso complicou a educação das crianças. A formação da pessoa foi transferida para terceiros, tia, avó, babás. Por isso, a escola precisa trabalhar com valores, fazer o resgate daquilo que está se perdendo ao longo do tempo. A segunda mudança é quando o governo não prioriza a educação, tudo desanda. Aí vejo que a educação privada não é um luxo, é uma necessidade. Os pais investem porque é necessário buscar a qualidade e uma formação integral para os filhos.
RJV – Como equilibrar qualidade x quantidade?
Ocila – Nós nunca fizemos questão de quantidade. Sempre faço aquilo que o conselho de educação indica. Com uma quantidade ideal para manter o nível de aprendizagem elevado. Porque o professor consegue identificar cada aluno em sala de aula e atender de forma personalizada.
RJV – Qual a sua orientação para quem vai começar o seu próprio negócio?
Ocila – Eu digo que é preciso ter amor, perseverança, persistência, coragem, fé e o trabalho todos os dias. Você não pode ser um empreendedor, se você não está no seu negócio; se você passa a responsabilidade para a outras pessoas. Tenho três filhas trabalhando comigo, mais duas coordenadoras, mesmo assim, quem chega aqui quer falar comigo, ‘‘a diretora’’. Não posso transferir a minha função, a minha responsabilidade de empreendedora e proprietária para terceiros. Tenha amor pelo que faz, isso faz você ir à luta, correr atrás. Multiplicar rendimentos depende da estratégia e forma que você vai se posicionar para o empreendimento. E a minha estratégia é a qualidade do que ofereço. Essa é a melhor propaganda que vai para muito longe.
RJV – Qual a sua motivação para investir no seu negócio?
Ocila – Sinto-me motivada todos os dias pelo amor ao que faço e em sempre buscar mais. Manter a proximidade com os alunos me motiva ainda mais. Converso com eles, sento, brinco, abraço. Tenho carinho por todos. Dar e receber o carinho. E vejo o desenvolvimento de cada um, dá um orgulho enorme!

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