Mônica Azevedo
Proprietária da escola CRESCER;
Pedagoga, especialista em planejamento.

Estar à frente de um negócio que exige afeto e que interfere diretamente na vida de seus clientes, é o desafio diário do nosso Perfil Empreendedor, trazendo nessa edição a empresária Mônica Azevedo, que há 11 anos administra a Escola Crescer em Castanhal. Formada em pedagogia, decidiu abrir a escola quando percebeu na cidade a carência de um espaço que oferecesse algo a mais nas séries iniciais. Hoje contabiliza mais de 1200 alunos que, além das disciplinas curriculares, também possuem aulas de inglês, espanhol, diversas modalidades esportivas, balé e empreendedorismo. Seu negócio é um sucesso pela qualidade dos serviços oferecidos, mas também pela maneira de gerir pessoas. Dona de um sorriso cativante e de um olhar sonhador, ela vai envolvendo todos ao seu redor. Nessa entrevista, ela nos deu uma aula de como colocar a medida certa de emoção e razão nos negócios. Confira como ela faz para continuar crescendo junto com os seus clientes.
RJV- Qual o caminho que você escolheu? O que você aponta de diferente na sua maneira de administrar na área de educação?
Mônica– Eu, antes de tudo, me considero uma educadora, e com esse rumo e visão para a educação, eu sempre tive a preocupação com a individualidade, cada ser humano reage de uma forma, e com as crianças não é diferente. Então estar preparado é importante. Preparar os nossos profissionais para receberem as diferenças que existem lá fora conta bastante. E a escola precisa despertar o gosto, porque a nossa concorrência é grande. Quando digo concorrência, me refiro ao universo do próprio aluno, falo de games e tantas outras tecnologias, hoje as crianças já nascem sabendo mexer no celular, no tablet, têm os vídeos e a televisão, é muita coisa envolvida. E para a escola despertar prazer na criança, ela precisa ser uma escola atrativa e estar sempre inovando. Como a minha especialidade é planejamento, no começo do ano quando o pai matricula, ele já recebe todo o planejamento anual. E, esse planejamento não precisa ser algo imposto, mas sim partilhado. O professor por exemplo, tem que ter motivação, gostar do que está fazendo. Falamos na pedagogia afetiva; se as crianças de 2 a 3 anos não gostarem do professor, não querem vir pra aula; não aprendem. Então o professor, para ser preparado para receber o aluno com essas diferenças, precisa também amar o que faz.
RJV – Qual o maior obstáculo que você identifica para quem pretende investir em um negócio mudando a forma comum de administrar?
Mônica – Eu acredito que a gente alcançaria um resultado muito maior com nosso público-alvo, que são os alunos, se todas as famílias se engajassem no processo. Os problemas que ocorrem, são às vezes por falta de planejamento familiar, acompanhamento, ou por falta de diálogo dentro do lar, a dificuldade está no fato de as pessoas não se envolverem. Nós vemos que 50% do nosso público tem o acompanhamento excelente, os outros ficam para trás, ou seja, isso interfere diretamente na forma como administramos.
RJV – Quando se fala em trabalho em equipe, o que você faz para coordenar várias pessoas para que todos atuem no mesmo direcionamento?
Mônica – Primeiro tem que ter Deus para direcionar, dar sabedoria, capacitar. Mas precisa ter muito bom humor, o olho no olho. Você sabe que com uma empresa com 82 funcionários não posso administrar com o coração, não flui. No entanto, como o nosso público-alvo é o ser humano, as pessoas precisam ser envolvidas no processo com afeto, com carinho. Se uma gestora é mal educada, qual funcionário vai ser educado com o seu aluno? Então eu que tenho que ensinar com meu jeito de ser, com o meu exemplo em primeiro lugar.
RJV – – Você acha que o mercado da educação tem mudado?
Mônica – Sim, porque na nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a preocupação não é mais educar o aluno para que ele aprenda somente português, matemática ou geografia. A nova BNCC hoje é voltada para criar um cidadão que saiba ser crítico e que saiba também conservar os seus valores. E isso é uma mudança mais complexa e necessária.
RJV – Durante esse tempo à frente do seu próprio negócio, o que de mais valioso você aprendeu com as experiências?
Mônica – Eu amo isso aqui. É uma dedicação de segunda a sexta, final de semana é da família. E o mais valioso que aprendi, são as críticas construtivas. Pais que vão para outras escolas e depois acabam voltando, porque percebem a nossa preocupação com a qualidade, com o investimento feito na escola, tudo isso é muito gratificante. Daí percebemos que é importante incentivar a família a se inserir na rotina da escola, para isso temos eventos grandes durante o ano inteiro. Tudo para sermos o mais completo possível.
RJV – E nessa trajetória já passaram por momentos difíceis, qual a lição tirada deles?
Mônica – Primeira coisa é não administrar pelo coração, porque sempre haverá aquelas dificuldades. A inadimplência não é só no nosso ramo, mas em toda a parte. E você precisa fazer um cálculo para manter as contas, já contando com a inadimplência. Porque o seu funcionário tem que ser priorizado. É uma das coisas que priorizo, o pagamento em dia. Isso para mim é muito importante, porque não há como cobrar resultados sem retorno para o funcionário.
RJV – Para você o que significa ter sucesso profissional?
Mônica – Eu acredito que sucesso é o que conquistei. Tem uma frase que diz assim: ‘’O segredo da felicidade é amar o dever e fazer dele um prazer.’’ Através do Crescer, teve uma mudança de vida para toda a minha família. Eu tenho todos engajados aqui comigo, e para mim, é a melhor coisa do mundo. Quando casei, meu esposo e eu tínhamos alguns propósitos, e um deles é que os nossos filhos tivessem uma vida diferente. E isso é fundamental, porque o sucesso mudou a história para os meus filhos, que não precisaram passar os apertos por que passei na vida. E outro orgulho que tenho, é colher os depoimentos de um aluno ou dos pais. Os primeiros alunos já estão passando pelo ensino médio. A gente vê que era uma sementinha que cresceu, e eles contam que sentem saudade. E sucesso é isso, cada pai que chega aqui e elogia o atendimento diferenciado.
RJV – Qual seu conselho para quem pretende direcionar o próprio negócio?
Mônica – Primeiro é descobrir o que você sabe fazer, o que você gosta de fazer e o que você quer fazer bem feito. Muitas vezes, a pessoa entra no mercado de trabalho sem ter nem noção e só quer ganhar. Por mais que eu tente ter um bom faturamento, não é essa a minha prioridade. Minha prioridade sempre foi uma educação de qualidade, que as crianças gostem de vir à escola, que não aprendessem só o ler e o escrever, mas valores para a vida.
O segredo não é só amar o que faz. É se dedicar, fazer o que sabe, e fazer bem feito. Às vezes, as pessoas têm preguiça e não vão para a frente. Tem que envolver, achar a solução, saber de tudo o que acontece. E, com todos os que me procuram, eu quero me envolver e buscar a solução junto.