Com Silvio Costa.
Ficou para trás o tempo em que o traje junino era feito de chita e retalhos. Hoje, muitos folhos, rendas, gripis e tecidos finos entram na dança e embelezam ainda mais os passos das quadrilhas estilizadas. E agora, o figurino virou estrela no espetáculo, se de um lado os brincantes ensaiam ao som da sanfona, de outro, o ruído da máquina de costura é quem dita os passos. Só mesmo alguém apaixonado por costura é capaz de encarar o desafio de preparar roupas para mais de 40 brincantes. Silvio Costa faz isso há 25 anos, e apesar de costurar durante todo o ano, é no período de São João que o trabalho vira prazer.
Ele descobriu a costura quando ainda era adolescente. Neto de alfaiate, observava o avô trabalhando e se encantava, a curiosidade ganhou força quando a avó o presenteou com uma máquina.
A irmã mais nova foi quem vestiu as primeiras confecções que Silvio copiava dos looks da cantora Joelma. Aos poucos, o fascínio pelas linhas e agulhas foi se misturando com uma outra paixão: a dança. Silvio participava de quadrilhas juninas todos os anos e fundou o próprio grupo. A dificuldade de encontrar costureira fez com que Silvio encarasse o desafio, e foi assim que fez os primeiros trajes. “A costura foi sendo mais influenciada, e o mundo junino sempre existiu dentro de mim. Foi unir duas paixões em uma.”
De lá pra cá, a coisa ficou muito mais séria; hoje, Silvio e sua equipe dão conta de quase 100 trajes de quadrilhas diferentes. É muito colorido e folhos para todos os lados. Cada etapa é supervisionada pelo costureiro, para que cada detalhe fique igual, incluindo o bordado que dá glamour, com muito brilho.
Por dois meses, a rotina do costureiro começa bem cedo e só termina na madrugada. Para enfrentar essa maratona, ele revela um segredo especial. “Só trabalho com música. De preferência que seja da quadrilha a que estou me dedicando. Porque eu acredito que a música traz inspiração”, se diverte.
O reconhecimento veio só há três anos quando passou a confeccionar os trajes da quadrilha ‘‘Flor de Mandacaru’’. O grupo premiado mostrou que o sucesso na quadra junina depende de muito ensaio e de mãos que transformem tecidos e fitas em arte. Uma tradição que Silvio faz questão de manter. “A cultura é muito importante, sobretudo para os jovens. Muitos entram para uma quadrilha por causa da dança e essa magia toda tira eles de uma situação de risco”, destaca.
Mesmo com tempo corrido, Silvio aproveita esse período para ensinar o ofício. “Meu maior sonho é montar um ateliê bem equipado, com espaço adequado para ensinar outras pessoas a costurar. Acredito que se você sabe algo, tem que ensinar. Não pode morrer com esse conhecimento para si”.
Mas é quando a sanfona toca, e a quadrilha entra no salão, que todo esforço vale a pena. “Eu me emociono, quando vejo as roupas saindo do papel e criando vida. É inexplicável, é minha paixão em forma de São João”.