O empreendedor do bem-estar, é uma maneira interessante para definir Dr. Jorge Filho. Ele atuou por muitos anos na empresa familiar que possui um hospital reconhecido e respeitado em Castanhal e região. Mas, havia uma inquietação e o desejo de comandar sozinho seu próprio negócio. E foi assim que nasceu o empresário. O perfil empreendedor deste mês teve a honra de conhecer um pouco da trajetória de um profissional que enveredou por dois caminhos audaciosos e obteve êxito, sobretudo, trabalhando com seriedade e retidão. Uma prova para nós de que o caminho correto é também o mais saudável para os negócios.
RJV – O que deu mais segurança para você fazer um alto investimento em uma área que sequer conhecia?
Dr. Jorge – Para empreender, o mais importante de tudo é ter a confiança das pessoas. Ninguém monta uma clínica ou um empreendimento imobiliário se o teu nome não é bem visto. O que tu tens de mais valioso na tua vida profissional é o teu nome, é as pessoas confiarem em ti. É a pessoa dizer, ‘‘quem tá fazendo? É o Dr. Jorge. Então, pode fazer, porque ele é uma pessoa correta, ele nunca vai te enganar, nunca vai te fazer uma coisa errada ou um negócio mal feito’’. E isso influenciou muito na confiança das pessoas para serem meus clientes num empreendimento imobiliário. E isso tem a ver como você atua como profissional. ser um médico atencioso fez a diferença. eu falo do poder de encantar teu cliente. A pessoa tem que sair do atendimento encantado, e que foi melhor do que imaginava.
RJV – E sabemos que a medicina avança muito rápidamente, como é que administrativamente você consegue acompanhar essas mudanças? É possível?
Dr. Jorge – Se você for lá embaixo, na clínica, vai ver a quantidade de quadros dos cursos que faço. O médico tem a obrigação de se atualizar, porque a medicina é muito dinâmica, todo ano tem que ir para o congresso brasileiro que reúne a especialidade, às vezes, congresso fora do país, atualizações na área. Na medicina tem que ter sempre acompanhamento, e a gente tem feito isso dentro do possível.
RJV – E isso se aplica a todo empreendedor?
Dr. Jorge – Quando eu estava na área médica, participava dos cursos, congressos, jornadas, simpósios e eventos da minha área médica. E quando comecei a mexer na área imobiliária, passei a chamar pessoas para formar a engenharia toda. Li num livro que o grande empreendedor, o empresário, geralmente não tem tanta formação acadêmica, ele é mais a pessoa que tem as ideias e ele tem que se juntar com as pessoas especializadas naquele assunto. A dica é você se rodear de pessoas capacitadas que tenham boa conduta, tenha honestidade para você poder fazer aquilo. Porque sozinho jamais irá conseguir. Não tem como economizar. Você tem que saber dividir as coisas, dividir o percentual do empreendimento para que todos ganhem. Então isso é uma dica fundamental. Eu tinha que pegar pessoas que já tinham um conhecimento para fazer isso. E a contabilidade é muito importante, porque você tem que pagar os impostos, se não fizer, você vai à falência.
Tudo isso é um conjunto que abrange várias pessoas e várias empresas que estão também recebendo do seu empreendimento. Você nunca tem sucesso se estiver sozinho no seu negócio. Você precisa de parceiros profissionais capacitados, honestos que te deem um respaldo.
RJV – Como foi que você decidiu investir no setor imobiliário, que é um universo muito diferente da área da medicina?
Dr. Jorge – Eu tinha a chácara e tinha um paciente e vizinho que era empresário e tinha o terreno ao lado do meu. Perguntei se ele queria me vender, ele me vendeu. A minha vontade era cuidar do espaço enorme que dava muito trabalho. Eu estava gastando dinheiro com os reparos, para manter tudo; fui, olhei e pensei em fazer algo com a área. Primeiro resolvi plantar grama para, pelo menos, tirar os custos. Até que conheci outro empreendimento e um amigo me convidou, e aí que pensei em utilizar a minha área para algo parecido e ainda melhor. Fiquei dois anos fazendo planejamento.
RJV – E foi então aí que você viu a oportunidade, e disse: vou empreender.
Dr. Jorge – Quando vi um empreendimento parecido com o que tenho hoje, eu vi que tinha capacidade de fazer aquilo, e fazer melhor. Foi o que me deu o estalo. Eu tinha a área e vi que podia vender com um preço até abaixo do que valia ou fazia um empreendimento. Optei por acreditar e empreender.
RJV – As pessoas falam que de médico e louco todo mundo tem um pouco. No seu caso, de médico e empreendedor todo mundo tem um pouco também?
Dr. Jorge – A pessoa, para empreender, corre risco. Tem gente que não quer correr risco. Eu corri, paguei pra ver. Mas o que prevaleceu em diversas situações foi o bom nome. As pessoas pensavam que eu era honesto, correto, da tradição da minha família. E os clientes foram confiando e investindo no empreendimento. Foi difícil, tive que fazer empréstimos para finalizar. São muitos riscos, mas você precisa ter paciência, cautela com os negócios, não fazer nada por impulso, pegar orientação de pessoas que entendem do assunto. E não fazer a coisa só pela emoção. A gente tem que raciocinar, o que o cliente quer? o que ele quiser, vamos pôr no empreendimento.
RJV – Na sua opinião todas as profissões, precisam ter a veia empreendedora?
Dr. Jorge – As pessoas têm sempre que sonhar. Você tem que arriscar no seu sonho.
Mas um risco controlado, pegando orientação de quem entende. E para quem vai empreender num nível inicial, buscar o Sebrae. Não dá para começar sem orientação. Eu já vi casos de fazer as coisas só pela vontade e sem conhecimento, investiu dinheiro e a pessoa perder tudo.
Você pode ser o profissional que for, precisa de pessoas na área do empreendimento.
RJV – Nessa trajetória de empreendedor o que de mais importante você aprendeu?
Dr. Jorge – Ter paciência e calma nos momentos difíceis. Ou seja, confiar na sua capacidade, no seu bom senso, nas pessoas que estão te orientando. Nunca se desesperar ou se abalar, porque você vai ter momentos difíceis quando empreende, mas sempre existe solução ou alguém para ajudar a contornar a situação.
RJV – Qual o seu foco em empreender?
Dr. Jorge – O bem-estar do ser humano. O objetivo do empreendedor não tem que ser o dinheiro, ele tem que pensar num negócio que dê certo, que não dê prejuízo e que dê o retorno esperado, mas não pense só nisso. Mas pensar no que vai ser esse negócio, para as pessoas que vão utilizar, os clientes, e para a economia. Eu pensei assim. Quantos empregos a gente gerou; só na minha empresa foram 100 empregos. Atualmente tem mais de 200 pessoas empregadas de carteira assinada. Já tem 30 casas feitas e quase 50 obras em andamento. Isso está gerando aquecimento na economia da cidade, na compra de material de construção, dando trabalho a arquitetos, engenheiros, paisagistas, pedreiros, pintores e serventes, está gerando um aquecimento da economia em toda área. É o retorno social. As casas ao redor do empreendimento todas valorizaram.