Manoel Barros tem uma trajetória respeitada no comércio. Há 40 anos, fundou a Eletromóveis. Hoje, se mantém nas cidades de Capanema, Castanhal e Capital. E toda semana, visita pessoalmente cada unidade e faz questão de conhecer os 360 funcionários de todos os setores. O negócio sólido tem servido de inspiração para empresários em todo o nordeste paraense. O que começou com o empresário e mais um funcionário, hoje surpreende pela qualidade dos produtos e serviços. Manoel Barros deixou claro que o empreendedor não pode se acomodar e deve estar sempre junto de sua equipe.
RJV- Qual foi o seu maior desafio como empreendedor?
Manoel – Todos os dias têm novidades e a preparação para isso tem de ser grande. Você precisa ter vocação, se não tiver, não faz com qualidade, com amor e não tem perseverança para continuar após alguns tombos.
RJV – O que o senhor considera essencial para se manter em evidência no mercado?
Manoel – Você deve procurar um bom local, um bom produto e principalmente ter ética. Porque se não tiver ética com seu empreendimento e com o seu cliente, você não vai a lugar nenhum, igual balão que fura. Eu acredito que “o boca a boca” vale mais que qualquer mídia. Porque é só com o tempo que você vai ganhando essa credibilidade e confiança.
RJV – E como lidar com a concorrência?
Manoel – A concorrência é natural e muito boa. No nosso caso, quanto mais lojas estiverem aqui em Castanhal, melhor vamos nos preparar. De repente, podemos até copiar as ideias boas. Quem é empresário, precisa viajar, participar de feiras, palestras, seminários e verificar o mercado. É nesses eventos que você se prepara para enfrentar a concorrência. Ver coisas novas e fazer diferente. E um dos pontos que acredito ser o mais importante é treinar a equipe, para dar um tratamento VIP aos clientes. Porque todo mundo gosta de ser bem tratado e se você tiver esse conceito, as coisas andam bem e aí a concorrência fica mais fácil.
RJV- E o que é atendimento VIP?
Manoel – Nós realizamos treinamentos especializados para cada setor. E o cliente recebe atenção única dentro do padrão de atendimento na rede. Cada setor tem seu preparo. Da venda aos montadores, que são cruciais. Eles precisam trabalhar com cuidado, respeito e limpeza, porque entram na intimidade da casa das pessoas. O relacionamento interno é importante. Manter boa a relação dos funcionários que se envolvem no processo, para que o cliente fique sempre satisfeito.
RJV – Na sua opinião, no segmento de comércio, o que o senhor considera Sucesso?
Manoel – O meu segmento é muito bom. Primeiro porque não são produtos perecíveis. Compramos produtos de qualidade, atuais e modernos. Vamos sempre a Feiras e procuramos ver os lançamentos. O certo é estar sempre atualizado, para poder atender a demanda.
RJV – Quem trabalha com atendimento direto ao público tem uma preocupação a mais. O que o senhor considera essencial no atendimento. O cliente tem mesmo sempre razão?
Manoel – Nem todas as vezes. Mas a maior parte tem sim. Existe no meio, aquele 1% de reclamação que exige algo que não pode, isso de acordo com a legislação. Mas, em média, o cliente acena uma falha, e é muito bom ter a reclamação. Porque muitas vezes, a coisa está debaixo da barba da gente e não vemos. Principalmente quando se trabalha com muitos funcionários. Eu tenho nas três lojas, cerca de 360 funcionários e sei que o ser humano falha. Nós prezamos sempre por qualidade, e às vezes, o funcionário vai montar um móvel e, de repente, num acidente, ele arranha a parede. E quando o cliente vem falar. Isso faz com que a equipe melhore. Caso não viesse fazer uma observação, como iríamos mudar? Eu gosto muito quando o cliente entra na loja e dá um sinal de que não está 100%. A reclamação é sempre a oportunidade de melhorar.
RJV – Para quem atua no mercado tradicional, como o comércio, há como inovar e surpreender o cliente?
Manoel – Sim, claro que sim. Exemplo, no dia das mães, com uma rosa você agrada uma cliente. A própria embalagem diferente, é um carinho para quem compra um presente no dia dos namorados; um laço, um adesivo, até um chocolate faz a diferença. Ao se aproximarem as festas de Natal, costumamos montar vitrines lindas, as pessoas passam e parabenizam. É nos detalhes que você surpreende. Até o uniforme é motivo de receber elogios, isso demonstra o capricho da empresa. E o que surpreende mais, é não deixar o cliente sem resposta. Mostrar as qualidades dos produtos, as vantagens que ele acaba levando para casa.
RJV – Quando é que o empreendedor chega ao topo? O topo existe?
Manoel – Depende de cada pessoa achar que já está realizada ou não. O topo existe quando se alcançam as metas traçadas. Se eu desejo ter uma loja com uma boa localização, quero que meu cliente dê uma sinalização de satisfação positiva. Quando se tem isso, se chega ao topo. Só que o mercado é muito veloz, as coisas mudam muito rápido. O empresário precisa pensar que as novidades vão chegar aqui, e começar a planejar, elaborar sistemas melhores, uma boa logística, porque a modernidade vai acontecer sempre.
RJV- Quando chega a hora de mudar? Qual a primeira coisa que deve ser mudada?
Manoel- Todo dia você deve mudar. Passar no seu negócio e verificar se tem fila e entender por que há várias pessoas, se o problema é humano ou de logística. E a mudança parte daí. Você não vai conseguir mudar tudo de uma vez, acontece gradativamente, envolvendo a tradição com o que vem dando certo no âmbito da inovação.
RJV – Qual a dica para novos empreendedores se tornarem assertivos?
Manoel – Honestamente? … O sucesso demora! Não existe imediatismo. Começar com o pé no chão. Se você ganha mil, gaste novecentos e guardar cem. Não pode gastar R$1.100,00 não pode ficar vislumbrado. E todo tipo de negócio você vai se adaptando a ele e ele a você. Primeiro tem de gostar de empreender. Já vi muita gente que não gosta do que faz e não vai crescer, não vai ser feliz. Nem todo mundo tem liderança, vai chegar ao ponto que vai ter dificuldade de liderar com um grupo maior. Montar uma equipe, porque sozinho não se faz nada; essa é uma tarefa difícil e extremamente importante. Com a experiência você vai aprender a discernir a qualidade de cada um.
RJV – O senhor acha importante o dono estar sempre à frente do empreendimento?
Manoel – Existem empresas que vão se preocupar em montar uma estrutura com grandes profissionais que o dono nem precisa ir lá. Mas eu ainda acho que é importante estar presente.
Toda semana visito as lojas, vou do depósito à gerência. E fica tudo mais fácil. Quando o empresário tem mais de 20, 30 lojas, lógico que ele precisa ter uma estrutura para isso, mesmo assim, não dá para se ausentar.