Keila Sampaio Pignatário
Formada em odontologia pela UFPA, especialista em
ortodontia e odontopediatria.

Pedro Pignatário
Formado em odontologia pela UFPA, especialista em
periodontia e radiologia odontológica.

O perfil empreendedor desta edição está diferente, especial mesmo. Trouxemos um casal para falar sobre empreendedorismo e negócios em família. Keila Sampaio Pignatário e Pedro Pignatário são dentistas há 14 anos. Juntos comandam a Concept, uma clínica com várias especialidades na área da saúde e com atenção especial para odontologia. Os desafios de conciliar uma profissão tradicional, mas que está imersa em tecnologia e inovação é constante. Em pouco tempo, foi possível perceber a sintonia do casal que apostou em confiança e diálogo antes de imergir em águas mais profundas no mundo dos negócios. Eles contam que é possível sim ter sucesso trabalhando com o que se ama e como uma empresa familiar tem possibilitado bons resultados e num ambiente bem acolhedor.
RJV – Como foi que na trajetória profissional, vocês decidiram que era o momento de abrir o próprio negócio?
Keila – Nosso primeiro empreendimento foi pequeno, com apenas uma cadeira, nós alternávamos horários, ele trabalhava de manhã e eu atendia pela tarde. E foi crescendo de paciente a paciente. Passamos por dificuldade como qualquer empreendimento novo, mas ainda assim tudo foi dando certo. Sempre dissemos que tínhamos que ser diferente, porque a concorrência estava aí e nós éramos dois jovens. Acho que o atendimento fez a diferença. Cuidar de cada paciente como se fosse um parente nosso ou um amigo. Sempre atendemos da mesma forma que gostaríamos de ser atendidos por alguém. Depois de um tempo, houve a necessidade de ir para um espaço maior. E nos planejamos em abrir um espaço para envolver a medicina e áreas da saúde, para cuidar de forma geral dos pacientes. Até que, há quatro anos, inauguramos a Concept saúde.
Pedro – Nós vimos uma necessidade de mercado na parte de radiologia odontológica. Como vários dentistas estavam chegando para Castanhal, entendemos que era um ramo necessário. E como os exames complementares radiológicos fazem parte da rotina diária da odontologia, esses novos profissionais iam precisar desse serviço, já entendemos que havia um mercado para ser dividido.
RJV – Hoje a tendência de mercado é ter atendimentos cada vez mais rápidos. É possível manter um negócio rentável num ritmo menos acelerado?
Pedro – Se você for fazer um lanche, você tem a opção do fast food que é a comida rápida, mas que talvez não tão saudável. E você tem a alimentação de melhor qualidade feita da maneira correta, com o chef de cozinha por trás, fazendo o melhor possível com ingredientes frescos. Ainda assim, você não pode dizer que um é melhor que outro, são diferentes, inclusive em resultados. O mesmo vale para a odontologia. É um investimento que você faz para a sua saúde. Não queremos tratar por tratar do paciente, ou tirar o paciente da crise de dor apenas. A gente quer tratar e prevenir problemas no futuro. Tentar ver o paciente de uma forma global como ele precisa ser visto.
RJV – Dá para estar nas redes sociais, ao mesmo tempo em que se faz um atendimento tradicional? Afinal, qual o papel do marketing e das redes sociais?
Keila – Eu acho muito importante. Não adianta ter só o conhecimento técnico. Hoje há profissionais que você sabe da capacidade, do conhecimento que é imenso, mas muitas vezes não sabem lidar com o público.
O público não consegue, muitas vezes, chegar nele, porque ele não consegue colocar para fora todo o conhecimento que tem. Se você oferece um serviço, mostra numa rede social aquilo que é verdadeiro, que é bom e de uma forma indireta, passa a ser visto. Não é fazer uma propaganda vendendo o produto, mas vender o serviço, e pra isso, basta fazer conteúdo informativo. Para o paciente ler aquilo e se reconhecer. Assim ele vai decidir ir com esse profissional, porque leu e se sentiu seguro. A rede social tem que ser sim usada para divulgar o que é verdadeiro. E não adianta colocar algo que você não consegue realizar, porque você não vai alcançar sucesso.
RJV – Muitas profissões estão a cair por terra por conta da tecnologia. Vocês atuam no mercado da odontologia, ao mesmo tempo que é uma atividade tradicional, também sofreu o impacto da tecnologia. Como é se inserir nesse mercado da novidade?
Pedro – A tecnologia dentro da odontologia é muito bem-vinda e não para. E isso vale para todos os setores. Não podemos deixar de estudar em momento algum, é preciso acompanhar congressos e cursos, o que tem de novidade chegando no mercado. Tudo muda a cada dia. Tem pessoas pensando em coisas novas para melhorar e facilitar o nosso serviço. A odontologia, embora a gente lide clinicamente com os dentes, com a boca de modo geral, tem coisas que estão mais profundas que a gente não consegue ter uma visão só de ver o paciente. E aí vem a tecnologia da radiologia, da tomografia, da ultrassonografia para podermos ter uma imagem melhor.
Keila – A tecnologia veio para facilitar a vida de todos. Hoje temos a possibilidade de o paciente acabar de realizar um exame, e o profissional no município em que ele estiver; receber o exame lá via internet. Não precisa perder tempo. São situações emergenciais que são solucionadas imediatamente. Quem fica fora disso, está fora do momento.
RJV – Empreender é para todos?
Keila – Eu acho que é para todos. Mas tem que ter coragem de arriscar. É necessário e é um risco que todo empreendedor corre. Mas tem que ser calculado, tem que dar um passo a mais, mas estudar as circunstâncias. E principalmente estudar o mercado. Eu digo que empreender é transformar algo simples que as pessoas já estão acostumadas em algo diferente, atrair a atenção e o desejo do consumidor. Não precisa ser algo extraordinário, mas em coisas simples que toda profissão tem que empreender porque senão fica para trás e vai ficando esquecido.
RJV –Qual a vantagem de ter um negócio em família?
Keila – Facilita muito o trabalho. Todas as decisões precisam ser feitas com muita conversa. Duas cabeças ou três pensam melhor do que só uma. E quando se trata de família, a pessoa só vai dar ideias que somem pra impulsionar. E isso dá a confiança necessária.
Pedro – Às vezes, quando se quer dar um passo maior do que a perna, sempre tem alguém com mais know how, já orienta para esperar o momento certo. Vai passando a experiência de uma geração para outra.
RJV – Qual a dica para quem tem o sonho de empreender?
Pedro – Eu digo que de maneira coletiva deveria ser assim: o professor é o profissional mais importante para nós. Porque ele tem toda uma base de experiência que ele passa para o aluno. A mesma coisa é empreender. Se você vai começar, sempre tem alguém que está um passo à sua frente que já passou por determinadas experiências, já cometeu alguns erros. Eu não gosto do ditado que “a gente aprende com os erros”. Podemos sim aprender com os erros, mas não necessariamente com os nossos. Pode ser com os erros dos outros também. A gente vê o que deu certo e o que deu errado e busca experiência com os outros e conversa bastante também. E aí, ter uma visão de necessidade de mercado, ter uma visão de cidades mais avançadas, dos grandes polos no Brasil, como São Paulo, Minas, Rio de Janeiro. O que tem de novo lá e o que posso trazer pra minha região. Tem que ter essa ideia também mais global. Empreender é isso, uma troca de experiência e ter uma visão de mercado.