Preparar as malas, pegar a estrada ou entrar em um avião nem sempre são prioridades, mas viajar faz parte do desejo constante das pessoas. Enquanto alguns descansam, um verdadeiro exército trabalha para garantir a folga tão merecida com qualidade e segurança. O mercado de turismo só cresce no Brasil e passa por um momento de grande expansão, segundo pesquisas, as cidades se preparam mais para receber os visitantes, o número de hospedagens disponíveis cresceu 8% no último ano. Só no carnaval, foram vendidos 15% a mais de passagens que o mesmo período do ano anterior. Esse movimento de pessoas faz a economia se mover gerando emprego e renda por toda a parte. O Pará ainda não se destaca como um dos destino prioritários, porém tem um imenso potencial a ser explorado e um público também ávido por descobertas. É nesse contexto que o perfil empreendedor este mês conversou com Francisco Fernando de Oliveira. À frente da Francisco tour por nove anos, o empresário conta que entrou no ramo do turismo transformando um hobbie em profissão. As primeiras viagens que organizou foram para colegas de trabalho, ainda quando atuava no comércio, quando percebeu a afinidade tratou de conhecer melhor o mercado e investiu. Deu tão certo que mesmo no momento de maior dificuldade financeira do país, foi capaz de continuar investindo e acreditando no setor. No currículo ele contabiliza a realização de 156 grupos de excursões pelo Brasil e exterior. E só para o mês de julho, a empresa já tem agendadas 5 excursões pelo país. Mantém ônibus saindo de Castanhal para diversos destinos com frequência e o segredo, revela Francisco, é manter-se em movimento.
RJV – Qual o cenário do mercado de turismo hoje?
Francisco – Turismo é uma área que vende sonhos. Não temos pacotes de viagens como se fosse só um negócio, porque viajar é o sonho de todo mundo. Só não viaja quem não pode realmente. Existem dois tipos de pessoas que não viajam. Tem o que não pode financeiramente e aquele que não é procurado e incentivado a fazer uma viagem. Hoje com as facilidades fazer turismo se tornou algo acessível. A grande sacada é fazer o que estamos fazendo, nós fazemos turismo com dedicação, o que é isso? É fazer com que a pessoa se sinta à vontade, se sinta bem e queira esse lazer como prioridade.
RJV – Como manter as portas abertas oferecendo serviços de alta qualidade num mercado tão competitivo?
Francisco – Concordo que o mercado é competitivo e muitas vezes, até desleal. Mas o diferencial é fazer o turismo com dedicação, aqui por exemplo, nós trabalhamos como se fossemos uma família. Durante nove anos de trabalho, eu já realizei 156 grupos de excursões, mas nunca viajou comigo nenhum passageiro. Passageiro o próprio nome já diz, é aquilo que passa, e eu não quero ninguém passando na minha vida, eu quero que fique. Nós trabalhamos com amigos, e viajamos com esses grupos de amigos.
RJV – Como você vê o avanço do setor de turismo em Castanhal?
Francisco – Está cada dia mais melhorando e crescendo, a cidade tem vários parceiros que trabalham também na mesma área. E temos que entender o seguinte: tem mercado para todo mundo. Cada qual que procure fazer da melhor maneira para crescer. Eu não me limito em trabalhar só em Castanhal, mas atuo em várias cidades vizinhas e até fora do estado.
RJV – As pessoas estão viajando mais, o que mudou no acesso ao turismo que causou essa busca?
Francisco – O que faz com que as pessoas viagem é você facilitar tudo para a necessidade de cada um. E depois, tem a divulgação. Hoje a mídia mostra foto, dos hotéis e locais visitados e isso empolga e dá mais vontade de conhecer. E juntando a vontade de conhecer, as vantagens para as viagens com as facilidades, rápido se torna um sonho realizado.
RJV – Algumas pessoas ainda consideram viajar, um luxo, uma extravagância. Como fazer com que as pessoas entendam que lazer é uma experiência acessível para todos?
Francisco – Primeiro, mostrar e ajudar as pessoas a entenderem que viajar além de ser um conhecimento, é uma troca de conhecimento e cultura. Você vai conhecer outros climas e regiões, vai fazer amizade com as pessoas da excursão. E é uma oportunidade de lavar a alma. E para quem trabalha o ano inteiro tem que tirar ao menos uma semana, nas suas férias ou no feriado prolongado, basta fazer uma viagem. As pessoas voltam renovadas para o trabalho e produzem muito mais.
RJV – Nessa trajetória já passou por algum momento em que pensou em desistir?
Francisco – Em nenhum momento pensei em parar. Porque nos momentos mais difíceis é quando você tem que trabalhar mais para superar a dificuldade. Se a coisa estiver ruim e você for sentar para chorar, enxugar as lágrimas, você está perdendo tempo, vai piorar cada vez mais. Tá ruim, então vai levantar mais cedo, se acordava sete da manhã, passa a levantar seis para compensar o que não conseguiu fazer ontem. Você tem que avançar e poder olhar para trás e saber que cumpriu o compromisso com o amigo que fechou contrato. Nessa hora, não importa se eu vou ter lucro ou prejuízo, o que importa é se você está satisfeito você vai voltar comigo em outra oportunidade.
RJV – Houve um tempo em que as agências de viagens eram pontos de venda de passagens, mas nós vemos atualmente uma mudança nos serviços. Foi mesmo preciso mudar?
Francisco – Na medida que as companhias aéreas começaram a divulgar suas passagens nos sites e nas redes sociais, todo mundo passou a ter acesso e comprar passagens a hora que quer, aí a venda de passagens aéreas nas agências caiu. Se você for esperar sobreviver numa agência só vendendo passagem área, você não vai sobreviver. Aí que vem o caso, tem que inovar, fazer pacotes, incluir vários trechos e serviços. Tem que fazer tudo o que for necessário para trazer comodidade para quem adquire os serviços. Tem sempre que procurar se movimentar.
RJV – Estamos sempre com a tecnologia na mão, tudo está acessível a um simples clique. A internet afasta ou aproxima os clientes das empresas?
Francisco – No caso do turismo, aproxima. Em nosso site é possível encontrar todos os pacotes, e lá você pode fazer reserva e resolver tudo. É mais uma ferramenta de trabalho e comodidade para quem não tem muito tempo de ficar visitando agência por agência. As redes sociais hoje são os maiores meios de venda. E tem aquela propaganda boca a boca que é muito válida também.
RJV – Qual o segredo do sucesso para um empreendimento?
Francisco – É trabalhar, trabalhar e fazer o trabalho bem feito.
RJV – Qual sua dica para quem está iniciando seu empreendimento?
Francisco – Primeiro tem que estudar o mercado e saber se realmente é algo que tem capacidade de crescer, se dá para sobreviver nele. Isso eu fiz, passei dois anos estudando o mercado. E segundo é ter coragem de enfrentar o que aparecer pela frente. Se na primeira dificuldade já desistir, você não vai para lugar algum, porque não existe mercado ou empreendimento que não tenha dificuldade.