“A tua vida vai depender das escolhas que tu vais fazer. E tu vais colher o que tu escolhestes”, essa frase pode bem resumir a trajetória de Rosângela Garcia, a mulher forte que nos presenteou com um super Papo VIP para essa edição de novembro, em que celebramos o dia da Consciência Negra.
Rosângela é gerente da TV Liberal, mãe do Pedro e do Vicente, negra e dona de uma cabeleira exuberante, mas nem sempre foi assim. Até admitir por completo sua identidade afro, a publicitária percorreu um longo caminho de descobertas e superação. Da infância difícil na periferia de Belém a uma conceituada profissional, ela enfrentou batalhas com muita determinação. A mãe era semianalfabeta, porém sabia que a educação podia garantir um futuro melhor aos filhos. “Quando a gente é pobre, negra, tem uma mãe empregada doméstica e mora na ponte no Jurunas, só podemos nos destacar se for pelo caminho da educação”, conta.
O esforço não foi em vão e só podia render premiações e reconhecimento que chegaram ainda quando era uma universitária. Logo foi admitida numa grande agência e em pouco tempo já tinha convite para trabalhar na maior empresa de comunicação do estado, onde está até hoje. “Tem que querer e fazer acontecer. Nós somos autores da nossa história. Se a nossa história está infeliz, estamos fazendo escolhas infelizes, precisamos rever as escolhas”, explica.
“As pessoas te olham e te tratam como se tu fosse algo que não tivesse valor, mas elas não te dizem abertamente, elas te boicotam”. E para ser aceita, Rosângela conta que se rendeu a padrões, alisando os cabelos, adotando estilo de vestir e de se portar rígidos. Foram as duas maternidades que iniciaram um processos de mudanças profundas.
Os cachos que hoje exibe são frutos de um itinerário de busca e autoconhecimento. Ficou surpresa com a enxurrada de sentimentos que afloraram quando resolveu abandonar as químicas para assumir o estilo black power. “Foi uma descoberta inclusive pra mim. Incrível como tem coisa na vida que a gente acha que é bem resolvida e não é”, revela. O novo visual rendeu elogios de toda parte e deu voz à sua identidade negra que ficou por muito tempo em segundo plano. “Aprendi que o principal é buscar a essência da gente. E nessa essência eu encontro a minha mãe negra, que foi uma mulher maravilhosa, vejo os meus tios negros ribeirinhos e descobri minha raça. É como se eu estivesse pela primeira vez realmente me aceitando como eu sou”, explica Rosângela. E depois de nos revelar tantos detalhes de uma história inspiradora ela conclui com sabedoria. “É preciso fazer um exercício muito grande pra se amar. O amor que você dá é o amor que você recebe”.