Com Marco Antônio Moreira

Cinéfilo é como se chama quem é aficionado por cinema. Marco Antônio Moreira é uma dessas pessoas que têm verdadeira paixão, aliás, amor pela sétima arte. O administrador de empresas que atua em consultoria na área de Marketing, tem essa paixão no seu DNA. O pai dele, seu Alexandrino, foi um dos maiores cinéfilos e críticos de todo o estado e influenciou gerações com seu trabalho em cinema.
Agora, imagine crescer num lar em que cinema era muito mais que uma opção de lazer, mas uma forma de ver a vida. Marco Antônio passou parte da infância, adolescência, juventude e a vida adulta dentro de uma sala escura, a sala de cinema.
“De uma forma geral, o cinema é uma referência para tudo o que eu faço. O cinema é uma arte muito importante, foi a arte mais influente do século passado, esse século já é a arte mais influente, junto com a arte visual e suas plataformas, então levo muito a sério,” destaca Marco.
A primeira recordação de Marco com essa paixão, é de quando assistiu “Os Aristogatas”, no cine Olympia. O passeio em família foi o primeiro de muitos que fez à sala que hoje tem 107 anos e é o mais antigo cinema em funcionamento do país, local que com orgulho, atualmente faz a curadoria dos filmes exibidos. “A maioria de nós tem uma história boa pra contar do Olympia. Às vezes, entro aqui e vou recordando filmes que vi, com mãe, namorada, esposa. O Olympia ajuda os paraenses a terem uma referência de memória, e isso é muito importante. Os museus cinemas antigos, enfim, servem de confirmação de que nós existimos e a memória ajuda a gente, fico muito feliz e orgulhoso de estar aqui”, relata.
Essa paixão sempre foi vivida de forma intensa; em casa, Marco possuía seu próprio projetor, para ver seus filmes em película. Atuante também em diversos cine clubes, tem preferência pelo cinema alternativo, como do cineasta sueco Ingmar Bergman. “A variedade te faz analisar com mais diversidade, aprender um pouquinho com cada filme. E isso acabou me ajudando a construir a minha personalidade, a forma de lidar com o mundo. É claro que não somos perfeitos, quem dera que pudéssemos copiar tudo o que os grandes e bons personagens fazem! E de alguma forma, fica um pouquinho na gente e me ajuda até hoje”.
Só de ouvir Marco falar, dá vontade de partir para um cinema. As inúmeras histórias vividas por ele nesse universo nem caberiam aqui nessas páginas. E diante da ascensão das tecnologias que dispõem os filmes em inúmeras plataformas, Marco ainda prefere a sala escura. “O cinema tem a magia. É um ritual, porque precisa do escuro, de coletividade, gosto de assistir a filmes com as pessoas. Prefiro a tela, e prefiro os cinemas antigos”, comenta.
Quem conversa com esse apaixonado, logo entende que o cinema ocupa o pensamento dele em todas as áreas da vida. É por isso que não há situação que não utilize um filme ou cena como referência. E foi emprestando uma cena de “Contato”, filme de Robert Zemeckis, que ele definiu sua paixão. Quando a protagonista que tenta responder a tudo com ciência não consegue explicar seu amor pelo pai. “O meu amor pelo cinema não tem como explicar, não dá pra definir em palavras. Só sei que sem o cinema não consigo fazer nada. É uma relação direta todos os dias e horas, estudando, lendo, aprendendo, e sou um cinéfilo muito apaixonado e espero levar até o fim dos meus dias.”