Manoelle Raposo Sousa
Graduada em geografia, curso de Gastronomia,
especializada em doces finos.
Empresária proprietária da Doces Lembranças.

Ela comanda uma empresa que tem doce no nome, mas isso é apenas a ponta da doçura própria de Manoelle Raposo. A empresária que, após morar 15 anos em Curitiba, voltou para Castanhal com um sonho na bagagem: abrir a própria confeitaria. Para isso, Manoelle apostou e mudou completamente de vida, formada em geografia, era professora concursada, mas encontrou paz na gastronomia. Fez cursos, se especializou em doces finos e gourmets, elaborou suas próprias receitas e hoje seus bolos e quitutes são sucesso por onde passam. A Doces Lembranças tem três anos e se destaca por sempre trazer novidades e produtos personalizados. Num mercado em que a cada esquina há um concorrente, Manoelle conta que é preciso ficar atenta para oferecer aquilo que os clientes desejam. Mesmo usando os melhores ingredientes, a empresária acredita que dá para se diferenciar com preços acessíveis. Uma estratégia suave e doce para atrair os clientes.
RJV – Hoje os consumidores estão optando por consumir produtos locais, mais artesanais, você acha que é uma tendência de mercado que veio para ficar?
Manoelle – É tendência por vários motivos: primeiro pelo baixo uso de conservantes, é mais gostoso porque você consegue diversificar muito em sabores. É um produto artesanal e exclusivo. A pessoa recebe um presente que é dela, foi feito exclusivamente para ela. Isso o mercado está pedindo cada vez mais, esse cuidado em personalizar os desejos veio para ficar.
RJV – Você acha que seu negócio se encaixa nesse perfil, por que passou a ser atrativo?
Manoelle – Eu acredito que seja sim o diferencial da exclusividade e também a qualidade do produto. Neste seguimento, o cliente quer saber que está gostoso, além de bonito.
RJV – Tudo o que se comercializa é uma troca de dinheiro e produto, no caso da comida, podemos dizer que essa transação pode ir além, ser uma experiência. Como acompanhar essa mudança de comportamento do consumidor?
Manoelle – Acredito que é buscar o exclusivo, as pessoas querem muito esse diferencial. Elas se encantam com a decoração, depois vem a parte do sabor e cada etapa do produto vai agregando um bem-querer do consumidor. E ele vai querer voltar pelo atendimento, porque o produto é lindo, tem sempre um sabor que lembra momentos e a infância.
RJV – Baseado nisso, se o produto for muito bom, tem que ser bem mais caro?
Manoelle – Não mesmo! Acredito que o diferencial esteja em oferecer produtos de excelente qualidade, com preços acessíveis. Claro que sempre vai ter um produto mais barato que o seu, ou vai ter um produto que fique de um jeito até mais apresentável que o seu, e a sacada é buscar que seu produto além de gostoso, de boa qualidade e bonito, o cliente também consiga pagar.
RJV – Como conciliar isso, ingredientes de alta qualidade e preço acessível?
Manoelle – Hoje em dia é realmente necessário economizar. Mas aí, não na qualidade e quantidade de produtos para fazer as receitas. Por isso passei a investir em embalagens mais sustentáveis, mais locais, e mantendo o delicado com etiquetas e detalhes. E realmente é necessário pesquisar preços para não ter que impactar no valor final para o consumidor.
RJV – No seu caso, bolo é algo de certa forma simples, existem milhares de receitas disponíveis na internet. Ou seja, qual o diferencial de um negócio que você pode encontrar em cada esquina ou até mesmo você pode fazer em casa?
Manoelle – Eu desenvolvi a minha receita própria, que é diferente de outras lojas, no meu caso, esse é um ponto fundamental. Se a pessoa for fazer em casa, ela vai ter o dobro de trabalho. E em casa vai precisar comprar uma quantidade maior, que nem sempre vai usar tudo. Se for colocar na ponta da caneta, a pessoa acaba gastando muito mais. Isso sem contar o tempo que ela perde. No meu caso, não busco fazer todas as massas e receitas, para querer conquistar todos os consumidores. Porque o cliente não compra num mesmo fornecedor. Acho que o que dá certo é padronizar meu produto, me esforçar para dar sempre o melhor sabor e uma linda decoração para que o cliente volte, porque se encantou na primeira compra. Isso acaba fidelizando.
RJV – Qual a importância de uma equipe para o sucesso de um empreendimento? Qual o segredo?
Manoelle – A maioria dos integrantes da minha equipe não possuía experiência específica na confeitaria. Então é necessário treinar bastante. Passam por um laboratório. Acho importante passar o meu conhecimento, das receitas que eu desenvolvi. Eu tenho a dimensão funcionária separada, mas gosto de trabalhar e buscar ser amiga de todos. Porque trabalhamos com pessoas, no meu caso, são muito jovens. Então é de forma descontraída que tudo vai dando certo. Mimos e salários pagos em dia também são fundamentais. E ter a consciência de que erros acontecem, porém tem que ver logo a consequência e o que a gente pode fazer para consertar e o que se pode melhorar em cada situação.
RJV – Quando se está começando um negócio, tudo parece muito difícil, como lidar com os inúmeros ‘‘nãos’’ que recebemos nesse caminho?
Manoelle – É sempre complicado porque tem ‘‘nãos’’ que nos tiram o chão. Eu evitei fazer grandes dívidas e empréstimos para abrir meu negócio, foram os ‘‘nãos’’ que me deram uma certa calma. E aos poucos, vou investindo na empresa. E não dá para abraçar o mundo de cara. E acho que é mesmo aos poucos que se conquistam grandes objetivos.
RJV – Qual sua dica para quem pretende empreender?
Manoelle – Fazer amigos. E com verdade, não enganar as pessoas. Mostrar o seu produto e buscar melhorar sempre esse produto. Sem subir no sucesso de alguém ou copiar o trabalho do seu concorrente.