Daniel Jackson Costa
Empresário do Ramo de tecnologia e Informação

Presidente do Conselho Regional de Farmácia

Farmacêutico Bioquímico pela UFPA

Especialista em Saúde Pública

Especialista em Vigilância Sanitária.

 

Obstinação é uma palavra que Daniel Jackson Costa conhece bem. O empresário e farmacêutico já está no sétimo mandato na presidência de um dos Conselhos mais atuantes no Estado, o Conselho Regional de Farmácia, o CRF. Ele empreende com muita obstinação para alcançar metas altas, seja na administração de suas empresas no ramo de tecnologia e inovação ou na coordenação de ações em todo o estado, para garantir o bem-estar da população e benefícios à categoria. Seu trabalho inovador revolucionou a relação entre farmacêuticos e sociedade, sobretudo com a aplicação de 67 Termos de Ajustamento de Conduta. Ele nos apresenta, nessa entrevista, dicas valiosas de observar o mercado e como se manter em constante aprendizado.
RJV – As farmácias deixaram de ser apenas um comércio de medicamentos, e agora também se tornaram postos avançados de saúde. Quando foi que essa visão empreendedora começou a mudar?
Daniel – Fazer mais do mesmo, tá cheio de gente fazendo, então o que a gente percebe, com o advento da lei 13.021 de 2014, em que as farmácias foram transformadas em unidades de prestação de assistência farmacêutica, ficou um pouquinho mais fácil a realização de alguns serviços, não que estavam proibidos antes, só que havia um ou outro questionamento da legalidade de alguns serviços, e com a lei, a gente conseguiu debelar isso. Hoje as farmácias podem aplicar vacinas, e existe a criação dos consultórios farmacêuticos. E isso são ferramentas que agregam com a venda dos produtos. Se você observar, até as novas farmácias que têm surgido no mercado paraense, a layoutização é diferente, não é como era antes. Agora o conceito tem trabalhado o atendimento do paciente. Porque farmácia a gente vai ver duas, três ou quatro em cada esquina, mas não se vê posto de saúde. A ideia que a gente acompanha, é que as empresas têm observado que o atendimento não pode ser uma simples entrega de produto. Você tem que cada vez mais cativar o paciente, fazer o processo de acompanhamento para que ele possa ser fidelizado. Preço, praticamente todo mundo tem o mesmo, e se você não tiver um diferencial na conduta com esse paciente, fica difícil você fidelizar.
RJV – Hoje vivemos a realidade de grandes redes com padrões e tecnologias, como você vê que as farmácias de bairro podem competir com isso?
Daniel – Eu acredito que tem mercado para todo mundo. A única concorrência que a gente não tem é para o que Deus inventou. Não tem concorrente pro ar, pra água. Mas para todo e qualquer negócio tem concorrência. A concorrência deve ser saudável, mas ao mesmo tempo que você pega conglomerados consolidados no Brasil e as vezes de capital externo, tem uma tendência de chegar ocupando de uma maneira mais intensa. E isso não é uma coisa de outo mundo. Nesse cenário, os pequenos negócios precisam se reinventar. Reavaliar custos, atendimento que, às vezes, o cliente não quer enfrentar fila num estabelecimento comercial, e um atendimento diferenciado, você vai encontrar nesses lugares sim. Organização tem que ter, as farmácias de menor porte podem fazer grupos de compras, trabalhar em conjunto, para que possam ter a concorrência de mercado.
RJV – A formação contínua em qualquer setor é importante. Ou modelos antigos funcionam melhor quando estão dando certo?
Daniel – As pessoas têm que ter uma capacidade de inquietação. Quem é empreendedor nunca fica quieto, está sempre em busca de algo para inovar. Um dos conceitos de empreendedorismo que eu sempre cito é de que empreender é uma travessia de risco. Tu estás fazendo um processo de travessia, está sempre cruzando algo, e ao fazer isso, tem que romper paradigmas, alguns dogmas, tu vais ter que mudar conceitos. Acho que o maior conceito para qualquer mercado é o conceito da reciclagem, aprimoramento e aperfeiçoamento contínuos, além da educação permanente. Ter a educação como chave para tudo, inclusive, é a chave pra manutenção do mercado e às vezes para a ampliação também. Ninguém entra no mercado sem estudar. Você pode até errar, mas você tem que ter um plano, pra saber o que você espera, qual seu centro de custo, o que você tem quanto empresa, para poder entrar no mercado e, acima de tudo, saber quem você quer atender. Por isso acho que a educação e o aprimoramento são a base de qualquer negócio, seja para entrar, para manter ou ampliar.
RJV – A organização social é muito importante para o fortalecimento de um setor. É possível crescer como empreendedor sem se unir a entidades de categoria? Por quê?
Daniel – O papel dos Conselhos é de ser fiscalizador, é aquele que zela pelo cumprimento da ética. Aqui temos uma missão, que é zelar pela profissão farmacêutica em benefício da sociedade. Esse papel precisa caminhar junto sim, do ponto de vista regulatório principalmente. Associações, organizações, cooperativas, tudo isso são ferramentas estratégicas que todo empreendedor deve ter. Hoje o cooperativismo tem crescido muito forte, e esses processos de caminhar com entidades e dentro da legislação é o correto, é o mínimo que se espera de toda e qualquer organização, seja ela pública ou privada.
RJV – Se considerarmos que empreendedorismo não se limita a quem abre um negócio, mas para quem tem atitudes, quais características você acha fundamental para o profissional empreendedor?
Daniel – A primeira delas é a inquietação, é pensar diferente, é raciocinar fora da caixinha. Você tem que ser diferente, buscar alternativas. Se alguém te chamar para qualquer tipo de desafio, nunca diga não. Diga sim, vou estudar e me preparar para isso. As oportunidades estão aí, existem muitas oportunidades ainda para serem exploradas no mercado. As pessoas não podem ter medo do desconhecido. Eu acredito que o empreendedor tem que estar marcado por uma obstinação. Para mim, o empreendedor é acima de tudo um obstinado, um inquieto e que quer realmente vencer na vida por N razões.
RJV – Qual sua dica para quem deseja empreender?
Daniel – Montar um plano, conhecer o mercado, saber qual é a missão da sua empresa, a que realmente ela se propõe. As coisas podem até dar errado, mas todo mundo precisa de um plano.