Por Alana Motta

Creio que você, possivelmente, já tenha visualizado residências com fachadas com desenhos de raios coloridos, talvez até sua casa ou de seus avós possam ter ou tiveram essas características.
Mas você sabia que existe uma história por trás desse estilo peculiar paraense? A expressão arquitetônica denominada de “raio-que-o-parta” surgiu em Belém, na década de 1950, influenciada pelas tendências modernistas.

Nesse período, havia a preocupação em trazer para a cidade das Mangueiras, as novidades da arquitetura moderna divulgadas no sudeste do Brasil, principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo. Foi então que a arquitetura de cunho modernista adquiriu importância em Belém como uma manifestação plástica constituída de painéis figurativos.

Na tentativa de modernizar as construções da cidade, os mestres de obras, e até mesmo os proprietários de casas da época, valeram-se da expressão arquitetônica “raio-que-o-parta”.
Essa expressão consiste na aplicação de mosaicos feitos com cacos de azulejos, formando figurações diversas nas fachadas.
Na maioria das vezes, estas figuras se assemelhavam a linhas retas e quebradas (ou raios) que remetiam as formas modernistas em evidência nas residências burguesas ou edifícios públicos da mesma época.
Atualmente, esse estilo tenta sobreviver ao esquecimento, à falta de conhecimento histórico e de preservação. Nas ruas de Belém, exemplos de casas com fachadas que possuem traços e características marcantes do “raio-que-o-parta” podem ser vistas nos bairros Guamá, São Braz, Jurunas, Pedreira, Reduto, entre outros. Entretanto o “raio-que-o-parta” não foi característica arquitetônica somente de Belém, sendo encontrado, também, no município de Cametá e na Ilha do Marajó, tornando-se uma expressão exclusivamente regional, pois, até o momento, não há nada similar em outros Estados brasileiros.