Por Andre de Moraes

RJV – Tem música nova saindo. Como está a repercussão?
Deborah: Foi o JP (empresário), eu ouvi uma música que o Bruno (compositor) tinha feito e eu tinha amado, a gente pensa parecido. O compositor, para fazer uma música, ainda mais quando não se está junto, foi através da internet, como tudo hoje em dia, então ele mandou a base e eu fiz a melodia e quando eu mandei pra ele, eu disse que era, exatamente, esse tipo de melodia que eu estava pensando. Então, assim, parece que a gente faz uma coisa junto, parece que ela já existe e que você só tem que traduzir para alguma forma sonora. Essa coisa com o Bruno aconteceu de forma bem natural. A música fala sobre o meu momento agora, de que nunca é tarde para seguir um sonho na sua vida, de que nada é impossível. E o meu guia espiritual sempre fala, tudo; o que desejamos nós fazemos, tudo, tudo que temos vontade de fazer de verdade, a gente acaba fazendo mais cedo ou mais tarde, nem que seja ter um recomeço em um novo país. Eu acho que temos que estar sempre crescendo e não achar que é tarde pra aprender coisas novas, se a gente ficar na zona de conforto, não cresce nunca. A música fala sobre isso, é pra viver o momento e daqui pra frente, com o passado, a gente aprende e vai mudando, crescendo espiritual, pessoal e emocional, encorajando as pessoas a nunca desistirem, porque o mais importante é a determinação de seguir um sonho. A repercussão é maravilhosa, porque eu estou feliz no meu atual momento, é isso que queria deixar registrado para quem gosta do meu trabalho.
RJV – Tem alguma previsão de show aqui no Brasil ?
Deborah: No momento, estou morando na Inglaterra, numa cidadezinha perto da Escócia, estudando. Mas quem sabe, estamos vendo para o ano que vem umas datas.
RJV- Apesar de estar morando fora, você tem um público cativo aqui no Brasil que te adora. Como é receber esse carinho?
Deborah: É muito especial, são mais de 35 anos de carreira e toda uma geração que curte meu trabalho e me acompanha. Eu recebo com todo amor do mundo e procuro sempre fazer melhor para eles.
RJV- Você tem dezenas de música em trilhas de novelas, inclusive ano passado tinha uma, como isso influencia na sua carreira?
Deborah: São muitas mesmo, que até perdi as contas, a última foi em verão 90 (trama das 19 ) mas na verdade tudo é uma consequência mesmo. A música acaba combinando e traduzindo algum personagem.
RJV – A quanto tempo você foi embora do país? Porque essa decisão?
Deborah: Faz anos que vim morar fora, sou de descendência italiana e sempre com hábitos europeus. A espiritualidade sempre foi forte para mim, é uma longa história, resumindo, vim estudar a vida de Jesus Cristo, porque sempre admirei Jesus, tenho paixão por Jesus e pelo Budismo, que na verdade é a mesma coisa. Através dessa minha busca de saber de que fonte que Ele bebeu, eu encontrei o Budismo. Então eu decidi me aprofundar mais, porém é algo que já nasceu comigo, esse lado espiritual, que é o lado musical, é como se fosse a mesma fonte, é como eu exponho a minha espiritualidade.

RJV – Já pensou em regravar algo? E como você vê o cenário musical hoje em dia?
Deborah: Já pensei em regravar, já fiz algumas regravações que eu não soltei, porque não ficou do jeito que eu queria, sou muito perfeccionista, o que pode ser tanto uma coisa boa quanto uma coisa ruim, porque, às vezes, quando somos muito perfeccionistas, as pessoas não estão ouvindo o mesmo que a gente, então acabei não lançando. Eu gosto do novo, pra mim, o atual é sempre melhor, porque o único momento que existe é o presente. Eu sei que as pessoas gostam das músicas antigas, que existe uma nostalgia, remete alguma época boa que a pessoa passou, mas eu gosto de fazer coisa nova: senão enjoa. Por exemplo, se eu faço uma música hoje, eu ouço pra poder mixar, pra poder trabalhar a música e acabo ouvindo muitas vezes e durante um tempo eu escuto a música com vontade de ouvir, depois de um certo tempo, eu não aguento mais ouvir minha voz. Acho que a maioria dos músicos são assim (rs) , quem sabe a gente ainda acabe regravando alguma coisa de algum jeito que fique legal. Já tentei fazer músicas antigas com base eletrônica, mas é difícil porque elas têm um andamento muito mais lento do que o da música eletrônica, existem umas regras que fica difícil de fazer um remix. Então, entre fazer um remix que não fique muito legal, prefiro fazer coisa nova.
Sobre o mercado musical, acho que hoje muitos artistas só se tornam famosos para ganhar dinheiro, no meu caso, foi pensando na pureza da música, na poesia. Sou esse tipo de artista, nunca me vendi por grana, sempre fiz o que eu achei que tinha qualidade musical e vou morrer assim. Tem coisas boas, mas a maioria é vendida sem muita qualidade ou porque, sabe? (Rs)
RJV – Quais os planos para 2020, o que os fãs podem esperar?
Deborah: E 2020 a Deus pertence. Espero terminar meus estudos e continuar fazendo aquilo que mais gosto que é criar e compor de uma forma que toque as pessoas no coração.