Gisele Freitas da Silva
Gerente Sebrae na Região Guamá
Tecnóloga de alimentos. Especialista em gestão no agronegócio. Mestre em gestão de empreendimentos.

A força dos pequenos empreendedores é maior do que se imagina. É o que garante Gisele Freitas da Silva que, há três anos, é Gerente Sebrae na Região Guamá. É ela que nos traz a visão do potencial e das oportunidades para os 19 municípios atendidos pela Unidade do Sebrae, estabelecida em Castanhal. A entrevista mostra que empreender requer mesmo dedicação e que seguindo alguns passos, as chances de sucesso são maiores. E Gisele nos fala das perspectivas para a região, diante do desafio de modernizar o Sebrae e levar os empreendedores a seguirem pelo mesmo caminho.
RJV – Como você avalia o empreendedorismo aqui na região?
Gisele – Castanhal tem uma comunidade empresarial bem densa. Só na base de dados do Sebrae, temos estabelecidos oficialmente 8103 empreendimentos, juntando com dados de outras instituições, temos 12 mil formalizados; desse total, 5 mil são empreendedores individuais. E esse é o olhar que temos aos pequenos negócios, e nós vemos que a regularização como empreendedor individual é importante para garantir benefícios como a contribuição para aposentadoria, auxílio maternidade, entre outros. Temos potencial agrícola, comércio, e nós estamos verificando que ao longo dos anos, tem – se formado um seguimento de serviços, e a tendência é ultrapassar o comércio varejista.
RJV – E quais são os maiores desafios?
Gisele – Com a chegada dos atacarejos, tivemos uma grande contribuição com emprego e renda. Mas, em contrapartida, os pequenos negócios se veem diante do que chamo de oportunidade. Oportunidade de procurar o Sebrae e aumentar a sua competitividade e sustentabilidade, que é o caso por exemplo, dos minimercados. De criar estratégias e modelos de negócios para que venham se sustentar ao longo dos anos e não tenderem a desaparecer. O minimercado dentro do Código Nacional de Atividade Econômica, em Castanhal, é uma das atividades que mais aparece na densidade empresarial. Então, hoje, tenho como segmento prioritário minimercados, confecções, autopeças, varejista de manutenção em serviços. E temos um olhar muito voltado a esses seguimentos que demandam bastante em toda a região.
RJV – A região tem potencial? O que vocês do Sebrae vislumbram para um futuro breve?
Gisele – Hoje temos projetos segmentados voltados para gastronomia, que é um projeto de alimentação fora do lar, voltado para restaurantes, pizzarias, hamburguerias, que são segmentos que estão em alta na região. Percebemos o cenário e estamos atuando nesse pilar principalmente de mercado e inovação, perpassando pela transformação digital. Nosso foco está muito no marketing digital. E a gente enxerga esse cenário e vem trabalhando nisso. O outro cenário é a moda, através das confecções temos um projeto de varejo de vestuário, onde vem atuando nas missões técnicas apoiando esses empreendedores. O que fazemos é ajudar esses pequenos negócios a melhor gerenciar e aproveitar o cenário do marketing digital, para que eles não fiquem somente no físico, entrem nessa pegada de transformação.
RJV – Quem está começando, consegue empreender sem entrar no universo digital?
Gisele – O mercado físico sempre vai existir, mas as tendências indicam que nos próximos 10 anos, o marketing digital é o caminho para você ter uma liberdade financeira. Não adianta você ficar como sobrevivente nesse mercado, você tem que ter realmente uma sustentabilidade do seu negócio. Então, se manter no digital é uma oportunidade. Nós estamos passando também por uma modernização, e a hora é agora. Muitos empreendedores, pelo menos aqui na regional, ainda possuem a mentalidade voltada para o mercado físico. É uma geração que não está acostumada a lidar com os computadores e a internet. Tudo isso é um desafio muito grande, de estar conectado realmente com o cliente, porque o cliente atual está na internet o tempo todo.
RJV – Percebe-se que muita gente consegue realizar o sonho de ter o próprio negócio, mas em pouco tempo acabam fecham as portas. É um movimento normal ou é fruto de erros?
Gisele – A maioria dos empreendedores fazem por necessidade e não por oportunidade. Então se é uma necessidade, abrem de qualquer forma, sem planejamento prévio e não procuram se capacitar para estar num mercado muito exigente como está hoje. Para ter sucesso, não adianta só vender, tem que fazer toda uma gestão do negócio. E quando continua de outra forma, a tendência é fechar as portas. O “sei fazer” é uma questão operacional, que ainda é muito forte. Mas o “sei gerenciar” o meu negócio para ter rentabilidade e lucratividade é o grande gargalo.
RJV – Qualquer pessoa pode empreender?
Gisele – Não existe o empreendedor nato. O que existe são oportunidades para você criar habilidades e competências para desenvolver algo. Até porque se existem dez características empreendedoras, qualquer pessoa possui algumas dessas características e você pode desenvolver outras.
RJV – Qual o papel do empreendedorismo para a economia local?
Gisele – No país, os pequenos negócios através do empreendedorismo somam 97% da economia. Em Castanhal, as pesquisas mostram que 94% dos pequenos negócios movimentam a economia, e na região não é diferente. O que a gente percebe é que são esses pequenos negócios que estão fazendo a diferença. Existem os grandes e os médios que representam 3% ou 4% do todo do município e que são muito importantes. Mas a força dos pequenos tem feito a diferença. É importante ter grandes indústrias, estabelecer o nosso distrito industrial, mas os pequenos negócios é que estão alavancando a economia local.
RJV – Qual sua dica para quem quer sucesso no seu negócio?
Gisele – Para quem quer empreender, eu dou a dica de não empreender por necessidade. Não adianta ficar atrás do balcão esperando o cliente, assim nada vai acontecer. O empreendedor tem que fazer tudo isso do universo digital e muito mais daquilo que ele sabia fazer, para gerar conteúdo. Existe um universo muito grande com a tecnologia para ser explorado.