Raphael Neves
Educador Físico formado pela UEPA;
Especialista em fisiologia do exercício;
Especialista em musculação e personal trainer
pela universidade Vega de Almeida do Rio de Janeiro;
Proprietário do Studio Fitz e da academia Personal UP.

O convidado do Perfil empreendedor deste mês é uma pessoa que inspira admiração. Raphael Neves tem apenas 34 anos e já comanda dois dos negócios mais bem sucedidos do mercado Fitness na cidade. Seus negócios se destacam pela ousadia e maneira diferenciada de tratar clientes e de oferecer produtos. A jovialidade é contagiante, e mesmo diante de tantas responsabilidades (taxas, investimentos, funcionários), mantém o sorriso confiante. Sua história de como em pouco tempo começou a trabalhar numa academia e hoje é dono dela, pode-se resumir em três palavras: determinação, conhecimento e trabalho. Tudo isso fazendo o que chamamos de ‘‘pensar fora da caixa’’, fazendo o que ninguém havia feito. Suas ideias, muitas vezes, simples, têm como base, estudo, mas é na ação que ele se realiza e mostra que para empreender, é preciso mais que talento, é preciso sede.
RJV – Você considera que o primeiro passo para empreender com sucesso é investir em conhecimento?
Raphael – O conhecimento abre as fronteiras. É ele que vai te levar para outro nível. Eu gosto muito da frase de Albert Einstein que diz: “Conceito de insanidade é querer resultados diferentes, fazendo a mesma coisa.” E esses resultados diferentes só vêm, se no meio disso tiver um conhecimento diferente, para você ter uma aplicação diferente. O conhecimento é que vai te dar um norte para tua aplicabilidade, para alcançar o resultado ao qual você se programou ou não.
RJV – Valoriza-se muito a experiência nos negócios, mas você faz parte de uma geração jovem que tem muito a oferecer. Qual o diferencial do empreendedor jovem?
Raphael -Tem muito empreendedor jovem com uma mentalidade progressiva, porém caem na perspectiva econômica com entraves financeiros. E por essas pessoas não estarem confortáveis financeiramente, acabam sendo devorados pelos tubarões dos negócios. Mas isso tem mudado, mesmo em pequenas partes. Essa falácia que os tubarões devoram sempre os peixinhos, deixou esses empreendedores ariscos. E o conhecimento tem transformado muito a vida desses peixinhos aí. Os pequenos empreendedores têm muito a oferecer ainda. Mas não são só os tubarões que fazem eles travarem, acho que o conhecimento provavelmente não é aplicado de forma adequada, ou só estão tentando a primeira linha. Ou seja, eles têm conhecimento adquirido em graduação, pós-graduação ou em cursos, aplicam o conhecimento, pegam uma porrada e, às vezes, não dão prosseguimento.
RJV – E o que esses empreendedores têm de diferente que pode se destacar diante dos grandes empresários?
Raphael – A mentalidade. No mundo dos negócios, o que vai fazer toda a diferença é a mentalidade. Os tubarões têm uma mentalidade muito linear, e o mundo em que a gente vive hoje é não linear, tudo é muito volátil, ou seja, as coisas mudam rápido. E os novos empreendedores talvez tenham um felling melhor para essas mudanças. E acaba que isso é um diferencial dessa nova geração.
RJV – O que você considera como maior obstáculo para quem quer empreender?
Raphael -A mentalidade também. Vamos considerar aqui questões financeiras e a burocracia. É muito complexo e burocrático empreender no Brasil, altas taxas de juros. Se for pegar capital para investir, altas taxas de impostos. São muitas taxas para se abrir uma empresa, e isso acaba dando um tipo de entrave.
RJV – E o que te inspira a empreender?
Raphael – Mudar vidas. Tanto de quem compra o meu produto/serviço, quanto para quem trabalha dentro do meu negócio.
RJV – Os cuidados com a saúde é exponencial crescente na sociedade. Como é que esse mercado deve atuar para que o negócio não entre apenas na onda da moda, e assim, consiga se manter consolidado?
Raphael – O mundo fitness passa por algumas mudanças muito pequenas. Se você pegar o formato de um centro de treinamento hoje, ele pouco se difere de um centro de 10 a 15 anos atrás. O que muda é a tecnologia dos equipamentos, mas o formato é o mesmo. E isso acaba fragilizando o mercado. Se você for avaliar, hoje o Brasil é a segunda nação com o maior número de academias no planeta. Sabe o que isso quer dizer? Nada! Porque 56% da nossa população está com sobrepeso. Ou seja, a forma com que é vendido isso, a cultura de uma academia, não inspira as pessoas a treinarem. Não só a qualidade de vida, mas na questão estética também. Somente 3% da população brasileira é fisicamente ativa e apenas 1% vai para a academia. O modelo que está aí em toda parte não funciona, se funcionasse, não teria 1% da população fazendo exercício em academia. Eu digo que está vindo um novo formato de atividade física, que é o treino compartilhado. Que são grupos de pessoas com o mesmo objetivo, fazendo atividades muito mais prazerosas, sem mecanicidade e de uma forma mais comercial. Hoje a principal desculpa que as pessoas dão para não treinar, é falta de tempo. As pessoas estão buscando diminuir envolvimento nas atividades para sobrar mais tempo para outras coisas, e o fitness já percebeu isso. Hoje o formato é diferente, os treinos são muito mais prazerosos, em tempo menor e os resultados são muito melhores, porque o que dá resultado é frequência, é permanência. Hoje em média as pessoas passam 2 meses na academia e não conseguem resultado.
RJV – Quais características você considera fundamentais para ser um bom empreendedor?
Raphael – Vou falar uma. A característica que eu acho mais importante é a sede. Sede por conhecimento.
RJV – As redes sociais são importantes e sabemos que não dá para ficar de fora desse universo. Qual a importância das redes sociais para alavancar um negócio?
Raphael – Toda. A rede social na realidade, na minha opinião, é um dos canais mais importantes para o empreendedor. Porque lá ele consegue mensurar absolutamente tudo. E lá, tu tens oportunidade de conversar de uma forma direta com as pessoas, tem a possibilidade de expor uma ideia, um serviço, produtos, de forma gratuita e com um alcance absurdo. No meu cenário, provavelmente, grande parte das academias se posicionam de forma errada. E posicionamento é o que faz a diferença, principalmente na rede social. Eu comparo a empresa com um atirador de elite; ele dá só um tiro, mas para isso ele tem que estar bem posicionado, ele escolhe o melhor lugar, isso é imprescindível na mira. As academias se posicionam como centro de treinamento para pessoas bonitas, que possuem todo tempo do mundo, que não possuem problemas e estão lá para ficar cada vez mais bonitas, e isso acaba afastando as outras pessoas.
RJV – Qual dica que você deixa para quem quer empreender?
Raphael – Existe a Teoria de Pareto. Pareto foi um italiano que percebeu que 80% da riqueza da cidade em que ele vivia pertencia a 20% da população. Ele tinha uma empresa e levou esse número cabalístico para lá, e, descobriu que 80% dos resultados era dado por 20% dos funcionários. E ele foi levando para várias áreas e aplicando os números. Concluindo, eu acho que hoje a gente tenta se preparar 80 para atingir 20. E isso aí acontecia na revolução industrial, mas hoje tem que ser o contrário pela volatilidade e complexidade que o mundo vive. No mundo de hoje existem milhões de formas de fazer as mesmas coisas, o que os empresários estão fazendo, é usar sempre a mesma.
Eu utilizo muito isso na vida, acho que quem age tem poder.