Com Irineu dos Santos

Diretor executivo da fábrica de estofados LARVIG.

Você pode não ter ouvido falar do empreendimento dele ainda, Larving estofados, mas com certeza, já viu muitos produtos dele nas lojas da cidade e região. Irineu Alves dos Santos é um empreendedor nato. Ele está à frente da empresa há nove anos, e o negócio familiar, administrado com a esposa, atende principalmente a clientes exigentes das grandes lojas. Sua capacidade de analisar o mercado faz do negócio um sucesso e referência no segmento. Basta ouvir a história do empresário que trabalhava com serraria e foi migrando para marcenaria até chegar aos lindos estofados de hoje. As mudanças aconteceram sempre em busca de abraçar um mercado que ainda estava descoberto. Nosso Perfil Empreendedor desta edição mostra os bastidores de quem aprendeu a ler o mercado na prática e com muita coragem.
RJV – Num negócio familiar, o que é mais importante para manter o equilíbrio?
Irineu – Tem sempre as pequenas desavenças. Mas no final, todos trabalham com o mesmo objetivo de crescer. Existem momentos que a minha opinião não é a mesma dos outros, mas fica mais fácil se acertar e entrar em negociação, porque o diálogo é sempre a melhor opção.
RJV – Muita gente acaba desistindo por achar que num negócio familiar basta a aptidão para aquele determinado mercado, mas na verdade, é um negócio que deve funcionar como os outros. Qual a importância da organização e profissionalização do negócio?
Irineu – É fundamental. Porque quando nós começamos, na verdade, começamos só com marcenaria, o que temos hoje já foi um avanço. Eu não gosto de produção pequena, gosto de pegar e levar adiante. Comecei a fornecer móveis de madeira para uma loja, e eu consegui alagar ele de produtos. Ele me deu a ideia dos móveis estofados. Eu parti pra cima e comecei. Para chegar na experiência que temos hoje, não foi fácil. Começamos com linha popular que não deixava lucro, mas era aprendizado. E a experiência me trouxe até aqui depois de muitos erros e acertos, as famosas ‘’cabeçadas’’! O que eu fiz foi buscar pessoas com bastante capacidade e experiência na fabricação e fomos criando nossos próprios modelos. O que faz a diferença é a nossa equipe de trabalho. E a gente cobra muito, hoje, se eu olhar e tiver qualquer problema na produção, já identifico facilmente.
RJV – Vocês são especializados em tratar com clientes que fazem a venda do seu produto para o cliente final. Como vocês fazem para avaliar satisfação e desempenho do seu produto com o cliente destino?
Irineu – Nossa avaliação é assim: eu crio a cadeira, mando com preço bem agressivo para os lojistas, se tiver saída, deu certo, mas se mesmo ela sendo bonita não der saída, já vou tirando de linha.
RJV – Qual o segredo para encontrar o equilíbrio entre um bom preço e manter qualidade no produto?
Irineu – Essa questão de qualidade a gente aperta na margem de lucro. É possível sim ter qualidade com um preço bom. A gente aperta na margem de lucro, não tem outro segredo. E controla na produção, que é onde a gente tem uma despesa alta. Por exemplo, se você, ao invés de produzir 10 conjuntos, conseguir produzir 15 no mesmo período, sem perder a qualidade, você já ganha na produção e na margem de lucro. A gente ganha na quantidade de venda e não no preço único.
RJV – Quais são os maiores desafios que um empreendedor pode enfrentar?
Irineu – O maior desafio é a oscilação de mercado. Quando o mercado oscila muito, você sofre no financeiro, que é o coração da empresa. Oscilação é quando você está acostumado a vender 300 mil por mês e passa a vender 150, porque o mercado está ruim numa época do ano. A gente trabalha na reserva de títulos em carteira e estoque de matéria prima. Se o mercado cai, vamos usando a matéria prima estocada, usando até o mercado melhorar. E utilizando o dinheiro de título em carteira, que vai entrando aos poucos. Essa é a estrategia para ir contornando
RJV – Quais são as características que o sr considera importante para um empreendedor?
Irineu – É sempre estar criando, inovando. Um exemplo, é que eu mexia com móveis de madeira, encalhou na loja, se eu não tivesse criado um novo produto, eu tinha parado ali. Como eu criei e continuei melhorando, a coisa andou. O segredo é sempre inovar, não pode ficar na mesma.
RJV – O que deve motivar um empreendedor?
Irineu – O que me motiva é quando eu tenho um produto que começa a aparecer em outros fabricantes. Já me copiaram em diversas empresas, e eu penso logo que tenho que partir para outro, pra ser diferente do meu concorrente, porque senão, eu estou parado no tempo, ou seja, a concorrência me motiva.
RJV – Qual a dica para quem sonha em empreender?
Irineu – A dica é perder o medo. Eu já passei por muitos altos e baixos e o medo é normal, tem que enfrentar o medo com o pé no chão. Porque às vezes, você começa um negócio sem estrutura financeira, é um baita de um problema. A outra coisa é quando você se lança num negócio sem perspectiva de mercado, daí é 90% de chance de dar errado. Eu acho que o negócio tem que enfrentar com juízo. Já vi amigos que colocaram tudo o que tinham num negócio que achavam que era bom, antes de saber se o mercado iria ou não consumir o que eles produziam, e aí não dá certo.
RJV – Diante de um desafio de entregar encomendas em prazos muito curtos, o que fazer?
Irineu – Fim de ano, por exemplo, que temos uma demanda alta, a gente chama funcionários e reúne para abraçar a causa, e se é preciso ir além do horário, a gente segue, e sempre deu certo. Já vou atrás também de contratar ajuda extra, ficamos de olho no fluxo crescendo e vamos nos preparando sempre com antecedência.
RJV – Qual a importância da equipe falar uma língua só?
Irineu – Se não falarem a mesma língua, você não vai chegar a um resultado de produção e qualidade. Vão dois pra cada lado e não conseguem deslanchar a produção. Eu estou presente na linha de produção, fico o dia inteiro ali, de olho, corrigindo de hora em hora, pois o importante é evitar que falhas pequenas se tornem grandes.