Rafael Ferreira.
Diretor Mercadológico da Petruz Fruity.

Formado em Tecnologia de Alimentos, Mestrado
em Administração. MBA em Gestão, Especialista
em Controle de Qualidade, Mestrado com ênfase
em Gestão Organizacional.

O Perfil empreendedor deste mês vai falar de um produto que é conhecido como Ouro negro. O nosso açaí de todos os dias, que tão rico de nutrientes, atraiu paladares e mercados em todo o mundo. O negócio lucrativo que, segundo Centro Internacional de Negócios (CIN) da Federação das Indústrias do Estado, (FIEPA) movimenta mais de 17 milhões de dólares. Conversamos com Rafael Ferreira, diretor Mercadológico da Petruz, empresa com 16 anos e que atualmente lida com o mercado nacional e exporta para 37 países. Rafael nos contou que as lições de empreendimento para fazer o açaí e nossas frutas regionais circularem o mundo, também podem e devem ser aplicadas em qualquer negócio. Confira a entrevista e tenha uma verdadeira aula de paixão e empreendedorismo.
RJV – Segundo o IBGE, o Pará é o maior exportador de açaí no país, como se destacar num mercado em que todos os dias um novo concorrente abre as portas?
Rafael – O mercado do açaí é gigante, e a cada ano ele aumenta, e inclui novos adeptos ao hábito de consumir o açaí. Não é uma onda, é um produto que veio para ficar e, ao mesmo tempo, novas empresas também entram no mercado. A nossa ideia é sempre trabalhar de maneira correta. Quem é de fora e negocia com o Brasil, tem receio da corrupção; então, a nossa política é desenvolver um trabalho confiável para fazer entender que nossa cultura e nosso trabalho é diferente daquilo porque o país é rotulado lá fora. E isso faz com que a gente tenha um fortalecimento, porque confiam na nossa palavra, porque entregamos aquilo que acordamos. Também tem sempre o mercado mais fácil e o mais complexo, nós optamos pelo mais difícil, é necessário ter um amparo técnico maior e por consequente abraçamos um mercado com menos concorrentes.
RJV – Como fazer para conhecer o mercado alvo e tornar vendas e produtos assertivos?
Rafael – É difícil acertar no mercado, porque é muito cíclico. No mercado internacional, percebemos que existem lugares que o ciclo de inovação é menor. No Japão, é muito curto, o que é lançado hoje, daqui a dois meses, já está ultrapassado. Mas eu tenho como me manter como um produto desejado, só depende da forma como eu vou me colocar. Em 2020, haverá as Olimpíadas no Japão, e aí os nosso clientes japoneses disseram que o açaí volta a ser produto inovador, mas vem com uma abordagem diferente de 3 anos atrás, e diferente de como está sendo vendido hoje. Ainda nem sabemos como é, mas o mercado asiático vai dizer como o açaí vai ser consumido por lá nos próximos três anos. É importante visitar, se fazer presente, ter essa experiência com o cliente, porque a gente consegue olhar com a perspectiva dele estando lá. E se a gente não tiver essa sensibilidade, alguém vai ter, e a gente perde espaço.
RJV – A instalação de grandes empresas sempre gera uma circulação econômica no entorno. Na sua opinião, como pequenos empreendedores podem se beneficiar com a presença de grandes empresas?
Rafael – Toda grande árvore, um dia foi, uma semente. A Petruz hoje é uma empresa com cinco unidades industriais, quatro escritórios internacionais, dois nacionais; mas um dia nós já fomos um ponto de venda de açaí pequeno. Uma grande empresa ajuda a fortalecer o nome de um bom produto, não foi a Petruz que fez o nome do açaí, mas foram grandes empresas, a gente só pegou a onda do que estava acontecendo. É possível uma pessoa que tenha um negócio pequeno visualizar com um negócio grande. Isso faz com que a gente se transfira pro mercado. É trabalho árduo, acreditar no negócio, se motivar todos os dias para fazer o melhor.
RJV – Vale a pena oferecer produtos com qualidade elevada e, por isso, com preços mais altos, quando encontramos concorrentes que oferecem menor preço, mas também menor qualidade?
Rafael – A grande questão é a seguinte: é difícil concorrer num mercado com preços variáveis. Por isso, investimos na marca. O que faz a pessoa pagar mais de mil reais numa Montblanc e não comprar uma bic de um real? É porque ela tem um apego à marca; um objetivo, é o status da marca que faz isso. A nossa ideia é associar o açaí à Amazônia. As pessoas pagam mais caro quando sabem que por detrás tem uma história. Nós temos dois grandes valores aqui na fábrica, um deles é o amor e o outro é a sabedoria. Isso, numa empresa que trabalha visando lucro, é porque entendemos que o amor é doar tudo o que faz em prol das pessoas. E a sabedoria é exercitar todo nosso conhecimento em prol do amor. Todo produto que é feito de forma diferente, o consumidor percebe. E nós procuramos valorizar esses detalhes. É muito desafiador, porque estamos no norte do Brasil, em Castanhal, que não é capital, para figurar em tantos países como a gente configura. E é gratificante saber que a dedicação que colocamos em cada produto, o mundo inteiro está tendo a oportunidade de acessar.
RJV – Qual sua dica para quem deseja empreender?
Rafael – A primeira coisa que a pessoa tem que fazer, é acreditar no seu negócio. É acreditar que vai ser algo que vai dar dinheiro, mas não adianta investir em algo que não esteja ligado ao seu propósito de vida, só por dinheiro não vale a pena. Colocar ali o seu melhor, pois quando fazemos isso, é percebido! Cuidar do bem mais precioso que a gente tem que é o cliente, escutá-lo, escutar as críticas ao seu produto. Porque o elogio pelo elogio não motiva a melhorar. Procurar parceiros-chaves, pois no mundo em que estamos hoje, as parcerias são essenciais. Procurar amplificar o produto nos lugares certos, a audiência do seu produto que pode estar numa rede social, no WhatsApp, numa revista, é ruim gastar dinheiro errado. Hoje a internet tem uma série de informações gratuitas que podemos consumir de órgãos e fontes confiáveis, então é importante se atualizar sempre. E o mais importante: o primeiro cliente tem que ser a gente, acreditar no nosso negócio faz toda a diferença. É muito bom quando a gente consegue entrar num negócio que concilia a nossa paixão e o nosso propósito.