ANA AMÉLIA ARAÚJO – Proprietária da Empresa Araújo Joias

Atua no mercado de joias há 30 anos.

 

Um negócio que iniciou com o pai e hoje é comandado por Ana, mulher de muita perspicácia que leva no sobrenome o mérito de estar à frente da mais clássica joalheria da cidade. São 30 anos como referência no segmento, e mesmo diante de oscilações econômicas se manteve firme, sempre inovando e hoje avança no mercado, produzindo as próprias coleções de joias que vêm conquistando clientes em todo o país. Nessa entrevista, Ana Amélia fala sobre empreendedorismo familiar, persistência e ousadia. Ela nos apresentou um “case” de sucesso motivador e realista.
RJV – Existe um segredo para manter firme o negócio familiar por tantos anos?
Ana – Existe sim. A ligação fraterna no ambiente de trabalho, pois a confiança e o amor devem prevalecer. Lógico que surgem problemas porque somos parentes, mas preferimos assim. Quando surge uma necessidade de aumentar nossa equipe, priorizamos contratar pessoas conhecidas. Todo negócio precisa ser regado de confiança. Não tratamos ninguém por funcionário, mas como amigo. A confiança e o amor no trabalho não têm preço. Todos estão juntos no mesmo barco, estamos ali para vencer as situações difíceis. E se a gente ganha, sempre divide a vitória com a equipe.

RJV – Como fazer o cliente manter o interesse por produtos considerados de luxo?
Ana – No nosso caso, é o conceito de que o ouro sempre é um objeto de desejo, que significa a força de “eternizar o momento”. Uma joia tem o poder de trazer lembranças. Quando você ganha, sabe que a pessoa que te deu fez um esforço para presentear, é muito significativo para ambos, quem recebe e quem dá a joia. Hoje as peças se diversificaram muito. Um exemplo, são as alianças, antigamente você tinha aliança boleada ou quadrada. Hoje nosso cliente tem como opção ao chegar à loja, mais de 400 modelos. Virou um objeto de desejo e novidade. Tenho cliente que tem várias alianças, as pessoas trocam os modelos com frequência.

RJV – Qual foi o maior desafio que você já enfrentou como empreendedora?
Ana – O ano de 2016 foi difícil, e 2017 apesar de terrível, acabou bem. Com a atual situação política e econômica do país, o meu maior desafio foi conseguir me manter pagando impostos tão altos e fazer com que as pessoas não perdessem a confiança em voltar a comprar. A gente percebeu que estava todo mundo com medo de comprar e não poder pagar. Com “jogo de cintura”, conseguimos manter o cliente com interesse nos nossos produtos.

RJV – Tudo muda diariamente, como vocês fazem para acompanhar as inovações do mercado?
Ana – Há algumas coisas neste ramo que, por tradição, não se deve extinguir, mas inovar. O mercado de joia está sempre mudando e nesse nicho, nosso desafio foi à busca por uma linha moderna e sair da mesmice. É um mercado muito clássico. Ficamos de olho em máquinas modernas que possibilitam personalizar cada peça. Para estar no mercado sempre com produtos diferenciados.

RJV – Como manter equilibrada a relação empreendedor e cliente?
Ana – Com respeito. Muita gente faz qualquer coisa para efetuar a venda e depois nunca mais vê ou fala com aquele cliente. Todo o segredo está no pós venda. O cliente merece respeito e atenção. Se você comprou comigo, ofereço serviços grátis: cuido de manter o produto que vendi sempre bonito. Tenho esse cuidado de deixar a loja à disposição para que a joia receba a manutenção adequada e jamais discuto com cliente. Priorizo a melhor forma de atender meu cliente, e se ficar insatisfeito com alguma peça, faço até troca do produto, se for necessário. Quando tudo se resolve, você ganha um parceiro, vai ser alguém que irá falar bem do seu trabalho.

RJV – Você acha que lançar produtos com a própria marca é uma espécie de negócio do futuro?
Ana – Acredito que sim. Mas para isso, é preciso se adaptar e se transformar em indústria. No nosso caso, é necessário patente, e por isso deixamos de ser varejistas, para nos tornarmos indústria. E quem puder lançar sua marca, esse é o momento, a Amazônia está em alta. Estamos vendendo para uma joalheria de Maceió, que nunca imaginou encontrar produtos como os nossos aqui no Pará.
Acredite em si, não precisa ser de fora para ser bom, o nosso País possui estados que têm valores e riquezas. Às vezes, deixamos de valorizar o que é nosso para comprar de fora, enquanto fazemos produtos de alta qualidade. Nossa empresa apresenta o mais alto padrão no que diz respeito ao mercado de joias de luxo. O ouro está diretamente relacionado à beleza e sofisticação. Juntar tudo isso com a qualidade exclusiva das nossas peças é incrível!

RJV – O empreendedor deve usar a tecnologia a seu favor?
Ana – Ainda se veem muitas pessoas ligadas com o papel, o off line. Mas posso dizer que hoje, a tecnologia é tudo no mercado, se você não tiver rede social, você não existe para o cliente que está com a vida ligada aos equipamentos eletrônicos. Ou você se enquadra nesse mercado ou fica de fora, fica literalmente para trás. Se o empreendedor não ousar, ele morre. Não há como ficar longe da tecnologia. Hoje é bem mais fácil ser conhecido com o uso das redes sociais. Agora é claro, sem ultrapassar seu limite, é preciso ter prudência.

RJV – Quais os planos futuros?
Ana – Planos são muitos, sonhos então, nem se fala! O primeiro é tornar nossa marca conhecida fora. Isso requer muita dedicação em termos de marketing digital, que é uma coisa espetacular, porque você está em todos os lugares e consegue atingir todo mundo. Temos um produto único e fizemos dele algo diferenciado. Nós trabalhamos com peças mais elaboradas, conseguimos fazer joias extremamente sofisticadas. Onde quer que apresentemos nossos produtos, recebemos elogios, pois já criamos uma identidade forte. E o nosso foco é também poder exportar tudo isso.

RJV – Qual é a marca registrada de um empreendedor de sucesso?
Ana – É necessário encarar o mercado com coragem. Esta é a marca registrada de um empreendedor de sucesso, a coragem. Não dá pra ficar só olhando e analisando. Todo dia bate uma insegurança, então precisamos ir com coragem e confiança para vencer.