JOSÉ CASIMIRO TORRES – Sócio Proprietário da Empresa Dele e Dela

. Atua no mercado varejista há 39 anos

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É inevitável passar na Barão do Rio Branco em Castanhal e não se deparar com o prédio imponente da ‘‘Dele e Dela’’. São três andares com opções de vestuário, eletrodomésticos, acessórios, brinquedos e uma infinidade de equipamentos e móveis. Um negócio que tem o respeito e a confiança dos consumidores da cidade. Quando José Casimiro Torres abriu a primeira loja, já imaginava sim onde queria chegar. O foco foi determinante para que o empreendimento tomasse as proporções que possui hoje. À frente do negócio familiar, o empresário nos fala que a trajetória nem sempre foi fácil, conta que já viveu várias situações negativas dentre as positivas, em termos comerciais.
À parte disso, o ‘‘Dedé’’, como é conhecido, traçou metas e está sempre atualizando a loja às mudanças do mercado mundial. O trabalho organizado conquistou seu espaço no comércio local e raízes sólidas para continuar crescendo.

RJV – O país passa por um momento delicado. Está mais complicado empreender?
Dedé – O empreendedorismo sempre foi difícil. Nunca é fácil entrar no mercado em qualquer circunstância. Você tem que ter um foco para colocar a empresa para frente. Foco, gestão e aplicação. Em números reais, a maioria das empresas que abrem, fecham com dois anos porque as pessoas não sabem gerir um produto chamado dinheiro.

RJV – Qual o principal desafio quando se fala em empreendedorismo?
Dedé – Primeiro que o país passa por uma situação extremamente difícil. Nós temos números gigantescos de desemprego. A própria situação hoje de transformação trabalhista, com as novidades que estão surgindo, tem aumentado essa situação, e acho que em parte, está tirando muito emprego. A tecnologia tem tirado emprego nos bancos e em todos os lugares, embora surjam outras profissões. As pessoas precisam ir se adequando às novidades e aos problemas que advêm disso aí. Mas o pior desafio para quem empreende hoje é o alto índice de desemprego que afeta qualquer negócio, sobretudo no comércio.

RJV – A economia tem sinalizado mudanças positivas com relação a essa questão de geração de emprego. Você acredita que já é momento para começar a ficar otimista?
Dedé – Eu acredito que já é o momento sim. Mas esses números se refletem em alguns setores pontuais. Por exemplo, o PIB está crescendo porque a agricultura contribuiu de maneira significativa para isso aí. Também os commodities que não dependem de faturamento, o petróleo está subindo e o negócio de automóveis ajuda nesse PIB, mas há muitos setores que estão engessados. Os números estão positivos, mas ainda não refletem no comércio, porque o desemprego é grande. Os índices do Serasa estão aí para dizer: são 60 milhões de pessoas com o nome do Serasa em todo o Brasil, e essas pessoas não estão comprando.

RJV – Todo tempo é bom para investir ou existe um cenário ideal?
Dedé – Eu acho que todo tempo é bom para investir, agora, o momento adequado quem vai fazer é a pessoa, de acordo com o que ela vai fazer para investir.

RJV – Existe um segredo para fidelizar cliente?
Dedé – O segredo é o atendimento. A fidelização do cliente passa essencialmente pelo atendimento. E em vários aspectos, tanto quando se atende pessoalmente, como as condições que a empresa oferece como forma de pagamento e estrutura. tem que ter ‘’traquejo’’ para negociar as prestações.

RJV – No comércio os negócios sempre precisam lidar com uma margem de inadimplência, como driblar essa questão?
Dedé – Você tem que ter mecanismos na empresa para driblar a situação, mas isso não tem como evitar. A inadimplência advém de vários fatores, e não é que a pessoa seja um mau pagador, são circunstâncias de fatores externos, como a eminência de desemprego, por exemplo.

RJV – Hoje se fala muito em inovação, para você o que significa inovar?
Dedé – É preciso inovar em toda circunstância e em qualquer situação. Por exemplo, nós estamos passando por uma transformação muito grande e vejo que a venda on-line já é um fator preponderante para o incremento da renda de uma empresa. Para inovar, é preciso aderir ao universo digital com planejamento. E em função disso, nós já estamos investindo no universo digital. Procurando pessoas que trabalham com isso para não ficar de fora desse mercado.

RJV – Você acha que o empreendedor deve ter um comprometimento com a questão social?
Dedé – Eu acho que não só o empreendedor, mas todos nós temos essa obrigação de cuidar do social. Deve ser uma preocupação de todos. Vivemos num país que não tem programas sociais, educação de qualidade e saúde ,que são os pilares básicos e que mantêm a economia em desenvolvimento.

RJV – Como quebrar a resistência dos consumidores em relação a questão preço/qualidade?
Dedé – A resistência do consumidor é uma coisa natural que acontece. Então você vai ter que saber jogar nas duas situações. Primeiro tem que correr atrás de preço na compra. A gente está no mercado aqui há anos, e as grandes empresas vieram para Castanhal, enquanto nós tínhamos uma loja pequena para média, e eu sempre imaginei em chegar a ter uma grande loja, que fosse um local que tivesse tudo dentro para você se manter no mercado. Chegaram na cidade Redes e grandes lojas. Já fecharam quase todas! E nós nos mantivemos aqui. Eu digo que a gente está no mercado porque temos diferenciais, não somos uma empresa engessada. Temos a liberdade para negociar, ajustar, o que não acontece numa grande rede. E isso é um grande diferencial. Permite-nos também comprar bem para vender melhor.

RJV – O que te motiva a continuar empreendendo?
Dedé – Eu acredito que você nasce com esse foco empreendedor. Não me vejo fora disso. Assim como acredito que daqui a 20 anos eu já não estarei mais à frente do negócio. E isso é o processo natural das coisas. O que me motiva é o desafio. Eu estou há dois anos preocupado com o comércio em função das mudanças que estão acontecendo. Hoje é muito fácil adquirir qualquer produto que tem aqui na loja sem ter que vir aqui. E a gente tem que se superar para seguir acompanhando essas novidades, caso contrário, fica-se para trás. Ninguém pode zombar do tempo. A transformação hoje acontece da noite para o dia. O telefone celular tem só 25 anos, praticamente ontem, e hoje ninguém vive sem, é tudo muito novo e muito rápido, tornou-se essencial.
RJV – Qual é o segredo para manter um negócio familiar com harmonia?
Dedé – União, comando e disciplina. Estava comentando isso, esses dias. Eu tomei para mim as rédeas do negócio e tive sempre minha esposa comigo. Ela faz as compras, cuida de tudo e eu venho só confirmar, isso é uma total confiança. Mas nem sempre foi assim, quando comecei não tinha nada, era uma loja pequena que tive com meu primo. Para chegar ao que tenho hoje tive que ter muita disciplina em termos financeiros, comerciais e foco. Eu tinha uma vontade muito grande de ser comerciante. Se você não tiver esse foco, dificilmente você vai ter sucesso.