Feche os olhos e equalize a suavidade do som de uma flauta, acrescente o tom conhecido das cordas de um violão e do cavaco, agora tempere um pouco mais com a distinção do violino e finalize com o gingado do pandeiro. Esse é o ‘‘Quinteto Caxangá,’’ composto por uma nova geração de músicos que apostam nos ritmos brasileiros e que, juntos, oferecem o que há de mais inovador no universo instrumental aqui no estado.
Camila Alves, Victor Slayer, Armando Mendonça, Igor Sampaio e Juliana Silva são amigos que tiveram suas estradas cruzadas de formas distintas. Em comum eles possuem a formação pelo Conservatório Carlos Gomes, que é, atualmente, um dos mais renomados institutos de música do país. Além disso, possuem uma sensibilidade extraordinária para emocionar. “Para alguns, a música é apenas plano de fundo. Mas o fato é que ela marca momentos importantes de todos nós. Isto é bastante sério, e encaramos como uma missão, de fato,” revela Camila.
A base dos espetáculos é sempre a música popular brasileira e muito chorinho. Atualmente o grupo se apresenta com o show “Forró Brasil”, com repertório dedicado exclusivamente aos gêneros nordestinos. A performance foi premiada no edital Pauta Livre da Fundação Cultural do Pará, e apresentada no teatro Margarida Schivasappa. “A música instrumental é um seguimento que sabemos não ser de multidões. Mas é o que gostamos de fazer, de todo coração,” é o que afirmam os integrantes. As apresentações são cheias de leveza e alegria, os artistas transmitem uma paz que muitas vezes nos é tirada no meio dos ruídos das cidades.
O quinteto anda na contramão do mercado musical na busca de reconhecimento da música erudita e popular. “Nós acreditamos que a música pode mudar as pessoas. Nosso país possui uma cultura musical historicamente tão rica. Já encantamos o mundo com Tom Jobim, Chico Buarque, Ivan Lins; nosso conterrâneo Sebastião Tapajós está aí para provar e contar história. Nossa notoriedade mundial neste sentido é inegável. É um país de tradição musical mesmo, e nós temos que manter firme este legado”, afirma Camila.
Pelo espetáculo e qualidade musical com que eles se apresentam, nós podemos ficar tranquilos, porque estamos em boas mãos. Entre as apresentações, o grupo já prepara um CD que será lançado ainda este ano, também investem em composições próprias. O sonho é arrumar as malas e viajar por todo o país em turnê.
O nome ‘‘Caxangá,’’ que batiza o grupo, tem origem nas brincadeiras de roda. E faz alusão ao modo como os músicos se dispõem no palco e nos ensaios: em círculo ou semicírculo. E também pela alegria quando se reúnem para transformar acordes em harmonia. “Boa música promove paz, diminui a violência, incentiva a reflexão, prega respeito entre os seres, e melhora os rumos de toda uma nação”.