Dailane Amaral
Formada em Recursos Humanos

Pós graduada em Finanças Empresarial

Orivaldo Oliveira
Engenheiro de telecomunicações

Investir alto e oferecer ótimos serviços a preços acessíveis é o desafio encarado pelos empresários Dailane Amaral e Orivaldo Oliveira que, há 13 anos, comandam a Nevoli em Castanhal, a empresa de telecomunicação se destaca na região no setor de internet com fibra óptica. Atuando em 16 municípios, eles enfrentam um mercado competitivo que exige constante renovação. Nosso #perfilempreendedor de fevereiro é com esse casal que, com perspicácia, conquistou estabilidade no presente, mas está sempre de olho no futuro. Eles acreditam que o contato humano é essencial para quem atua no setor de tecnologia. Orivaldo assumiu a posição de porta-voz e conta pra gente como empreender, sem correr o risco de acabar ficando off line nos negócios.
RJV- Vocês foram um dos primeiros a investirem em fibra óptica aqui na região, isso dá maior responsabilidade? Por quê?
Orivaldo – Quando começamos com a fibra óptica, o desafio foi muito grande porque, para a nossa região, a mão de obra era escassa, e o conhecimento ainda era pequeno. Exigiu que fôssemos buscar tudo fora, nos especializar e entender um pouco mais de como funciona esse mercado da fibra em si e como são feitos os projetos. Porque não adianta só querer fazer, tem que saber como fazer. O primeiro passo foi buscar o conhecimento, aprender como trabalhar com fibra, para poder fibrar e atender os clientes na cidade.
RJV- Existe aí uma conta difícil de fechar. Se de um lado existem os altos investimentos em tecnologia e em expansão, do outro, precisa manter o serviço acessível à população. Qual é o segredo para bater a conta sem entrar no vermelho?
Orivaldo – Os investimentos são altos, mas a estabilidade da conexão faz com que o cliente fique satisfeito e se mantenha na nossa base. No final, a conta paga o projeto de fibra porque conseguimos fidelizar o cliente, dando a ele melhor conexão, mais segurança e estabilidade no link. Então esse é o segredo, é ter investimento e equipe técnica qualificada para manter a rede funcionando 100%.
RJV- Você consegue ver o impacto da expansão do acesso à internet aqui no norte? Como você avalia isso?
Orivaldo – Essa evolução está chegando em todos os municípios. Hoje você chega numa cidade pequena, no interior do estado com casas de madeira, mas que já tem internet. A tecnologia movimenta tudo. Quando você para a internet, você para uma cidade. Então vejo que a responsabilidade que a Nevoli tem hoje é muito grande, porque não estamos falando somente de Castanhal, são 16 municípios. Aí você considera diretamente 12 mil pessoas afetadas, se a empresa parar. Imagina o impacto que isso vai ter. E ainda atendemos outros provedores também. É uma cadeia que está atrás da gente. São muitas pessoas conectadas. E conseguimos manter tudo isso funcionando 24 horas por dia, garantindo para o cliente que a rede não pare. Essa qualidade tem que ser constante, assim como o investimento. Porque os equipamentos mudam, a tecnologia também, e temos que acompanhar tudo isso.
RJV- Todo negócio possui um risco, é possível estar preparado para os momentos de crise? Como vocês encaram isso?
Orivaldo – Também falamos que é difícil acontecer crise no nosso setor, porque se a internet parar, para tudo. Mas é claro que a gente tem que se preparar. Como? Fidelizando o cliente, mostrando para ele que o nosso serviço é essencial. Hoje o cliente não vai ficar sem o serviço, porque a internet não é só para quem joga, mas faz parte do dia a dia das pessoas no geral. A cada dia, o cliente está mais amarrado à tecnologia e à internet. Mas a gente sente o impacto quando outros setores enfrentam crises. Porque a parte financeira de uma cidade impacta diretamente na prestação de serviços. Por isso, é importante fazer com que nosso negócio seja algo essencial, para que em ocasiões assim, não sejamos tão atingidos.
RJV- Como você enxerga o futuro no mercado de telecomunicações?
Orivaldo – Nosso mercado tem um futuro promissor. Hoje a tecnologia está em qualquer lugar e é utilizada a todo instante. O advento da telecomunicação está começando agora, temos muito para evoluir, precisamos investir muito, porque há tecnologias boas que ainda não temos na nossa região. Quem não conseguir trazer as tecnologias do futuro para o presente, ficará para trás e aí sim, teríamos um grande problema para nos mantermos no mercado.
RJV- Já existiu o medo da tecnologia substituir a necessidade da mão de obra humana, na verdade, o que muda são as profissões e habilidades exigidas no mercado. Como a empresa investe no capital humano?
Orivaldo – Temos uma preocupação grande com os colaboradores, principalmente em capacitá-los e fazer com que eles conheçam profundamente tudo o que temos para oferecer aos clientes. É preciso investir em cursos, palestras e eventos. É o contato da equipe técnica com os nossos clientes que faz a diferença. Por isso, estamos investindo em colocar escritório em todas as cidades, porque o contato local, a conversa com o atendente faz toda a diferença para o cliente. Ele não gosta de ligar para a central telefônica e ser atendido por uma voz, um robô, ele quer conversar, quer entender como funciona, quer o contato humano e a solução imediata.
RJV- Como vocês avaliam o aumento da concorrência no setor?
Orivaldo – A concorrência vem para te tirar da zona de conforto. Porque quando você não tem concorrência, você se acomoda. Então, hoje quando o concorrente chega, ele te alerta. Aí, ou tu sais da zona de conforto e dá o melhor para superar o concorrente, e nisso aí tu conquistas os clientes, ou então tu ficas para trás. Graças a Deus, aqui na região, todos os concorrentes que temos são parceiros também. Porque no nosso ramo, um provedor depende do outro. Além disso, a gente tem que se ajudar. Isso fortalece nosso mercado para não deixar com que mais na frente venha uma empresa gigante de fora e passe por cima de todos que estão aqui.
RJV- Para quem pretende investir em tecnologia no universo da internet, ainda dá tempo de ter bons resultados?
Orivaldo – Com certeza. Estamos começando a trazer novas tecnologias para a nossa região. Estamos no início de uma nova fase, que é a conectividade em alta velocidade. É fácil? Não. É barato? Não. São investimentos altos. Mas fazendo tudo com projeto e começando da maneira correta, conseguimos ter um bom resultado. Em Castanhal, por exemplo, há quatro empresas que trabalham com fibra óptica; em Belém, há 20 ou 30 empresas. Então tem mercado para todo mundo. Porque cada cliente tem uma necessidade especial que um provedor consegue atender e o outro não. Para quem quer entrar no ramo, digo que tem mercado para todos, agora precisa entrar da forma correta. Porque fibra óptica não veio pra se brincar com ela, ou tu fazes o projeto detalhado para investir ou vai só jogar dinheiro fora. Nesse mercado, não dá para trabalhar só com preço, tem que ter qualidade e segurança na rede. Quem entra pensando só em preço, em ter lucros, e não olha para o que o cliente final dele precisa, não dá certo!